Entre o esvaziar-se e as pressões, dança em casa apresenta ‘Agnes & Alice’ e ‘Espaço Seguro para Ficar em Risco’

Há mais de dois meses no ar, a programação da série Dança #EmCasaComSesc, realizada pelo Sesc São Paulo, traz na próxima semana as apresentações “Agnes & Alice”, com Eliana de Santana, na terça-feira (1/9), e “Espaço Seguro Para Ficar em Risco”, com Douglas Iesus e Anelise Mayumi, do grupo Fragmento Urbano, na quinta-feira (3/9). A série mostra novos trabalhos todas as terças e quintas, às 21h30, no canal do YouTube do Sesc São Paulo e no perfil do Sesc Ao Vivo no Instagram , sempre com uma apresentação ao vivo de dança direto da casa do artista .

(Foto: Hernandes Oliveira)

Em “Agnes & Alice”, solo apresentado por Eliana de Santana na terça-feira (1/9), a busca pelo esvaziar-se resulta na construção de um corpo-espaço traduzido como permanência, com temáticas que passam pela presença do feminino, do vazio e do desnudamento. A obra faz referência à pintora Agnes Martin (1912-2004) e à pianista e compositora Alice Coltrane (1937-2007), duas artistas que escolheram o recolhimento e a busca interior para trabalhar em suas respectivas obras, escolha que hoje se mostra, de alguma maneira, em sintonia com o momento de isolamento social. Eliana de Santana é intérprete e coreógrafa e atualmente dirige a E² Cia de Teatro e Dança, onde mantém parceria com vários artistas da cena contemporânea paulistana.

“Espaço Seguro para Ficar em Risco”, apresentada por Douglas Iesus e Anelise Mayumi, do grupo Fragmento Urbano, na quinta-feira (3/9), é uma performance criada a partir do desdobramento de dois trabalhos anteriores: “Na pressão” e “Balada Manifesto”. Movidos pelos questionamentos levantados pelo que seria o “novo normal” nas periferias, os artistas se perguntam quais danças necessitam ser reinventadas para manter-nos vivos e como dançar em casa pode ser um privilégio para alguns ou alternativa para outros neste momento . Na performance cênica, são utilizados sacos transparentes para elaborar a poética e estética visual das pressões diárias às quais estamos submetidos. O grupo Fragmento Urbano nasceu em 2009 da inquietude de jovens da periferia da Zona Leste de São Paulo, que traziam como ponto de interesse comum a criação de espetáculos a partir das linguagens de Funk Styles, do Hip Hop e da intervenção urbana. Compreendendo a dança como um campo de pesquisa amplo e profundo, atualmente as pesquisas para criação se concentram na investigação de uma corporeidade periférica, afro-diaspórica, ameríndia, plural e potente.

Fragmento Urbano (Foto: Divulgação)

Sempre às terças e quintas-feiras, às 21h30, acontece uma apresentação de dança no formato de solos, duplas ou com mais integrantes – desde que estes já estejam dividindo o mesmo espaço neste período de quarentena – podendo ser coreografias inéditas, criados para este espaço digital, trechos de obras ou adaptações de trabalhos existentes, de acordo com o espaço e proposta de cada obra. As apresentações têm duração de até 40 minutos. Dentro desta linguagem, a experiência das diversas edições da Bienal Sesc de Dança, que teve sua 11ª edição realizada em setembro de 2019, possibilita a expansão da atuação digital da instituição. A programação tem como foco abranger o maior número de vertentes e movimentos da dança, em suas expressões, diversidades e poéticas de corpos, dentro das muitas áreas de pesquisa, como a clássica, urbana, contemporânea, performática e experimental.

(Carta Campinas com informações de divulgação)

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