Coronavírus: não é gripe qualquer e seus riscos não podem ser menosprezados

.Por Alexandre Padilha.

O Coronavírus não é uma gripe qualquer, por onde passa deixa milhares de mortos e não podemos menosprezar os riscos. O Brasil precisa aproveitar ao máximo as três vantagens que têm sobre a China para impedir uma tragédia similar.

(foto Minsa -ilust – peru)

Primeira vantagem: temos todas as informações sobre o novo vírus, o período de incubação, a gravidade, de onde vem os casos, qual é a população de risco e o número de mortes. Ou seja, todas as informações necessárias para ativar ao máximo os profissionais de saúde e a população para bloquear a transmissão e evitar o contágio e, sobretudo, a disseminação do preconceito que, além de agredir muitas vezes as pessoas, gera intolerância e desinforma a população. E o primeiro caso confirmado de Coronavírus no Brasil é um exemplo disso, não é de um chinês que veio direto da China. É um caso que só as informações da cooperação internacional permitiram saber, que é o risco da transmissão em outros países.

Segunda grande vantagem: o Brasil construiu, ao longo de décadas, um sistema público de saúde que age na vigilância em saúde nos portos, aeroportos, mercados, pontos de alimentação, hospitais e laboratórios. Essa estrutura tem todas as condições de atuar no alerta necessário e no máximo de seu trabalho. Cabe ao Ministério da Saúde do governo Bolsonaro dar toda condição para que esses trabalhadores possam atuar em cada canto do país, sobretudo na vigilância dos portos e aeroportos. É fundamental a possibilidade de os trabalhadores disporem de equipes preparadas e prontas para atuarem.

Terceira vantagem: ainda estamos no verão. Temos a possibilidade de conter a transmissão em um período onde a concentração das pessoas nos ambientes fechados é menor em relação ao inverno. Devemos orientar as pessoas não só em relação ao Coronavírus mas também ao risco da Influenza e da importância da vacinação para prevenção.

O Congresso Nacional fez em um dia o que o governo Bolsonaro durou semanas para agir. Desde o começo falávamos: o maior risco não era a repatriação de brasileiros que estavam na China, pelo contrário. A repatriação desses brasileiros deveria acontecer o mais rápido possível para o controle da situação.

O maior risco é a rede do SUS, que foi construída ao longo de décadas, não ser acionada na sua força máxima para conter o Coronavírus. Nesse momento o governo Bolsonaro tem que garantir as condições de trabalho e as informações adequadas a essa grande rede de vigilância do SUS.

*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal eleito pelo PT-SP. Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad.

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