Policiais seguem pista da infâmia bolsonarista contra ONGs e confundem maconha com floresta

Reportagem de Grasielle Castro, do Hufffpost, mostra que o inquérito policial que sustenta pedido de prisão de quatro brigadistas acusados de colocar fogo em Alter do Chão (PA) cometeu um “erro” crasso que pode ter sido proposital para poder prender os jovens e invadir a organização Projeto Saúde e Alegria.

(foto de video – tanoar – reprodução)

Os policiais, que foram investigar a pista dada pela infâmia bolsonarista de que as ONG que protegem a floresta são as responsáveis pelo fogo na floresta, coisa de doido diga-se de passagem, acabaram por confundir maconha com floresta. Parecia inevitável.

O HuffPost teve acesso à investigação e o que a política descobriu é que os jovens são responsáveis, estavam preocupados em cumprir os processos legais de contrato com a WWF, eram críticos com a WWF e tinham compromisso com capacitação contínua para melhorar a brigada. E, e em conversas particulares, falaram em fumar maconha (queimar o mato) o que foi confundido com queimar floresta. Veja o trecho da reportagem:

No inquérito, a Polícia Civil do Pará argumenta que os quatro rapazes orquestravam incêndios para fazer fotos e depois vendê-las. Em um trecho do documento, assinalado a seguir, uma declaração que faz alusão ao uso de maconha é usada para justificar envolvimento dos líderes da brigada nas queimadas. Falas sobre uso da droga são destacadas do inquérito, que tem 111 páginas. 

“Uma vez que os diálogos estão sendo explicitados cronologicamente, foi captada conversa incidental entre João [um dos brigadistas] e interlocutor não identificado, átimo em que este, jocosamente, rotula João como o fotógrafo ‘que mais queima e apaga fogo do Amazonas’.

Essa conversa patenteia os rumores que ouvimos desde o início das investigações, que consiste no envolvimento direto dos líderes da brigada na queimada que assolou a APA (Área de Proteção Ambiental) de Alter do Chão, com o fito de ganharem notoriedade para angariar recursos.”

Entre os usuários de maconha, é comum a expressão “queimar”, no sentido de fumar. Em outros momentos, a polícia transcreve áudio em que um dos brigadistas pergunta ao outro se vai com “o ‘tabeck bolado’ ou cê bola daí”. Um dos brigadistas, então, diz: “acho que eu vou com ele ‘bolado’, já fumando, aú eu te encontro aí”. Beck é uma forma de se referir à erva.

Veja reportagem completa no HuffPost

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