Fala de Julgman sobre envolvimento poderosos na morte de Marielle coincide com menção aos Bolsonaro

Documentos da Polícia Civil do Rio de Janeiro que compõem o inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco mostram que  os investigadores possuem há um ano as planilhas com os registros de entrada de visitantes do condomínio Vivendas da Barra, onde Jair Bolsonaro tem casa.

Julgmann (foto Antônio Cruz/Agência Brasil)

A data coincide com a entrevista do ex-ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann, que declarou ter certeza do envolvimento de pessoas poderosas nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridas em 14 de março deste ano. A fala de Jungmann aconteceu quando ele participou no Rio do encerramento do Simpósio Nacional de Combate à Corrupção. Isso aconteceu na sexta-feira, 23 de novembro de 2018, na Fundação Getúlio Vargas (FGV) . (Link)

Ou seja, a polícia descobriu a menção a casa dos Bolsonaro e no mesmo mês Julgmann deu a declaração dizendo que tinha certeza do envolvimento de poderosos no crime. No entanto, a informação ficou escondida por um ano.

Segundo a reportagem da Folha de S. Paulo (link), os papéis contradizem recente versão do Ministério Público do Rio, segundo a qual o órgão só teve acesso aos documentos em 5 de outubro passado, quando afirma ter apreendido o material na portaria do condomínio no curso da investigação sobre o mandante do assassinato da vereadora.

A Divisão de Homicídios da polícia está em poder dos papéis ao menos desde novembro de 2018. Já a Promotoria foi informada desde março deste ano sobre a apreensão das planilhas.

Elas foram obtidas durante a investigação do caso, porque o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de ser o executor do crime, também mora no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo de Bolsonaro.

Promotoras do MP-RJ, contudo, haviam afirmado em entrevista na semana passada que as planilhas só foram apreendidas em outubro, após Lessa e o ex-policial militar Élcio de Queiroz, outro réu no processo, terem confirmado que se encontraram no condomínio horas antes do assassinato da vereadora, em março de 2018.

Como revelado na semana passada pelo Jornal Nacional, uma das planilhas manuscritas indicava que o ex-PM Élcio tinha como destino a casa 58, a de Bolsonaro.

Ainda segundo a reportagem, um porteiro do condomínio declarou em depoimento à Polícia Civil em outubro que “seu Jair” autorizou a entrada de Élcio. Segundo o funcionário, ao notar que o carro se dirigia à casa 65/66, ele contatou novamente a casa 58 para confirmar a autorização. O mesmo interlocutor disse que sabia para onde iria o ex-PM. (247/Carta Campinas)

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