Exposição ‘Terremoto’, de Luis Martinelli, cria eclosões espontâneas de desordem

Será aberta na próxima sexta-feira, dia 19/10, a partir das 19h, na Galeria de Artes do Goma – Arte e Cultura, espaço localizado em Barão Geraldo, a exposição ‘Terremoto’, de Luis Martinelli, com curadoria de Mathias Reis.

(Foto: Divulgação)

Luis Martinelli é artista visual, com interesse em educação e cultura. Especializou-se em monotipia, cianotipia, xilogravura, fotografia e pinhole, explorando a coleta de materiais urbanos diversificados e realizando instalações/ocupações onde tudo se mistura.  

“Enmagicado pelo imaginario de um horizonte avesso! – utopias que sapecam ideias como pimenta no olho, que arde… fervilha a visualidade e o sonhar. Eu, Luis, inverto crio e recrio possibilidades visuais, verbais e plásticas pelo  (-sonho/invenção-) … um  lugar Americana. Brasil… São Pablo. Desde 1988. interior, criar é a ideia; — imensos desdobrares – A ‘real’ possibilitante. Dentre dinâmicas há coisas e as coisas falam, tem belos cabelos e lindas pernas com lábios frescos de paisagem…”

Sobre ondas sísmicas e/ou paisagens em transe

“O que pode haver de mais comum no comportamento das pessoas, de um modo geral, é desenvolver modos de organização para que exista alguma segurança em nossas escolhas e, supostamente, algum modo de controle. Não é coincidência que a maioria dos povos optou por uma estrutura sedentária de sociedade. Também, não convém excluir outros animais de estabelecerem territórios, ainda que não tenham a rigidez sistemática da espécie humana. Mas afinal, do que todos buscam se proteger? Por baixo da fina camada de verniz civilizatória, o caos atravessa tudo como um magma pulsante prestes a eclodir como um vulcão em erupção. Isso nos leva a questão: Seria o caos essencialmente desordem? O que está em evidencia a nossos sentidos é justamente que o caos não permite racionalizarmos essência alguma. Se pensarmos que não há essencialmente desordem, então, seria possível um reencontro com a ordem? Há uma serie de pensadores que se empenham a essa questão, a que podemos referenciar Ilya Prigogine que afirma haver uma ordem a partir do caos. No entanto, há uma grande diferença entre estabelecer uma ordem para falar do caos de vive-lo percebendo os movimentos que são apresentados. Será que o caos ameaça necessariamente nossa sobrevivência? 

Tudo indica em suas expressões que o artista Luis Martinelli duvida muito disso. No campo artístico, essas questões sempre estiveram presentes em sua intimidade, como uma aquarela na qual se faz uma figuração controlada intencionalmente, mas que a água trata de trabalhar por conta uma margem de descontrole escorrendo pelo papel. Aproximando-se por um viés contemporâneo, ao invés de representar, racionalizar ou ordenar de partida essas questões o artista coloca seu corpo e sua vida a correr o risco do encontro. Sem qualificar juízos de valor sobre os objetos, espécies e forças geológicas, Luis vai em busca de eclosões espontâneas de desordem com um olhar poético sobre as formas ordenadas que elas produzem, tal qual, um entulho de resíduos formados por uma enxurrada. Não apenas percorrendo grandes distâncias para essa experiência, é na vida cotidiana em sua micro-política que o artista se integra como constituinte caósmico. No exercício de vários anos de coleta, se mobilizam esses atravessamentos. Tal qual uma massa de matérias reunidas na praia pela manhã, os trabalhos artísticos de Luis são a própria maré alta que arrasta a madrugada e se formaliza no dia seguinte, perpétua e constante diferença. É uma expansão que se dá por terremotos ao invés de territórios estáveis. Suas instalações apresentam-se com uma experiência viva que acontece apenas quando as percorremos enquanto parte integrada a ela e, por conta disso, ao olharmos seus desenhos as linhas parecem fugir ao papel e nos fazer participar como seu contorno, assim como as fotografias o fazem com a luz. Essa exposição é certamente uma oportunidade de ver um artista emergente em toda sua plenitude poética, elétrica e expressiva” (Mathias Reis, 11 de outubro de 2019).

Exposição ‘Terremoto’, de Luis Martinelli

Abertura sexta dia 19/19 a partir das 19h. Visitação até dia 29/10, de terça a domingo das 14h às 22h. Galeria de Artes, Goma – Arte e Cultura: Av. Santa Isabel, 518 – Barão Geraldo, Campinas. Evento gratuito. Após às 22h consulte a programação do Goma Arte e Cultura na página oficial do Facebook.  

(Carta Campinas com informações de divulgação)

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