.Por Susiana Drapeau.
O presidente recém-eleito Jair Bolsonaro (PSL) estava visivelmente desconfortável em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial. No discurso de abertura, quase gagejando, disse que estava nervoso logo no início. Tremia e não conseguia articular as palavras; repetiu as mesmices da campanha eleitoral. Foi decepcionante para os empresários e para a imprensa internacional.
Além de reduzir um discurso de 45 minutos para apenas 6 minutos, Bolsonaro foi vazio e inseguro. Bolsonaro sabe que não tem nada a dizer e talvez também já tenha avaliado que cometeu um grande erro ao se candidatar a presidente.
Nesta quarta-feira, 23, um outro vexame internacional. Ele cancelou de última hora uma entrevista com a imprensa mundial. Bolsonaro só se sente tranquilo em uma entrevista quando pode falar de kit gay, comunismo e outras fantasias. Em Davos, nada disso apareceria. Bolsonaro está descobrindo que não tem qualquer preparo para ser presidente.
Fora esse desconforto e falta de capacidade, Bolsonaro pode estar descobrindo também que se meteu em uma grande encrenca ao assumir a Presidência da República. E uma encrenca sem saída. O primeiro mês de governo nem terminou e se transformou em um verdadeiro inferno para ele e sua família.
As revelações do escândalo Fabrício Queiroz e de seu filho Flávio Bolsonaro, que se arrastam desde antes da posse, devem estar preocupando o presidente eleito, que já se enrolou com desculpas pouco críveis em relação aos depósitos na conta da sua esposa Michelle.
Pelo andar a carruagem e pelo total desconforto que tem demonstrado, as investigações contra Bolsonaro têm mais chance de levá-lo à renúncia do que ao impeachment.
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