Casa de Vidro recebe exposição que retrata país ameaçado pelo avanço do mar

(foto genivaldo amorim – divulgação)

Após uma temporada na Pinacoteca de São Bernardo do Campo, a exposição “Aqui Será Mar”, do artista visual Genivaldo Amorim, chega a Campinas com uma edição ampliada da mostra. A abertura será neste sábado, 14 de março, às 14h, no Museu da Cidade – Casa de Vidro, e permanece em cartaz até 18 de abril.

Com curadoria de Isa Bandeira, reúne obras desenvolvidas a partir de uma residência artística realizada por Amorim em junho de 2025 em Tuvalu, pequeno país da Oceania que se tornou um símbolo dos efeitos das mudanças climáticas ao expor para o mundo o iminente desaparecimento do seu território devido ao aumento do nível dos oceanos.

Durante 30 dias de imersão, Amorim compartilhou o cotidiano da comunidade e desenvolveu obras que articulam poética, política, deslocamento, pertencimento, utopia e colapso ambiental a partir da visão de um artista contemporâneo brasileiro.

Entre as obras produzidas pelo artista, que mora em Valinhos e tem ateliê em São Paulo, está a série “Aqui Será Mar”, onde uma placa azul foi fotografada em locais emblemáticos do país, em uma marcação territorial dos lugares que um dia serão tomados pelo mar.

Outra série é “Made in Tuvalu”, um conjunto de 20 pinturas em que o artista usou pedras como instrumento de trabalho para riscar, marcar e raspar a superfície das telas.

Instalações

Quatro instalações complementam a mostra. Entre elas, está “O frio do norte é mais frio do que o frio do sul”, composta por 16 cobertores dobrados sobre sacolas vermelhas, uma referência às relações de poder entre o hemisfério Norte e Sul a partir de grandes instituições de arte contemporânea de países da Europa. Ao final da exposição, todos os cobertores serão doados a pessoas em situação de rua.

Em “Se 8 bilhões pudessem beber esse mar”, 200 copos azuis lembram a responsabilidade de todos na busca por soluções para o que está acontecendo no planeta. O azul também está nas cem camisetas que formam a instalação “Corpo d’água”, com números pintados de branco que representam o percentual de água no corpo do artista.

A quarta instalação, “Conversatório”, foi concretizada depois de mais de 20 anos desde os primeiros rascunhos. Composta por dez tambores de metal pintados de vermelho, com um monitor e uma câmera instalada no interior de cada um, a obra cria um sistema que anula a possibilidade de comunicação, em que as pessoas se veem, mas não conseguem se comunicar.

A exposição faz parte do projeto “Pense em Tuvalu”, que conta também com um livro com textos e imagens das obras e do país retratado, além de palestras em cidades paulistas. Durante o período da exposição serão realizadas visitas guiadas e um bate-papo com a participação do artista e da curadora. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: abertura 14 de março de 2026 (sábado)
Horário: 14h
Visitação: de 17 de março a 18 de abril de terça a sexta-feira das 10h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados das 12h às 16h
Visita em grupos: agendamentos para escolas podem ser feitos pelo e-mail museudacidade@campinas.sp.gov.br
Local: Museu da Cidade – Casa de Vidro
Endereço: Av. Heitor Penteado, 2.145 Lago do Café, Taquaral, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita

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