“A grande questão dessa segunda onda do feminismo, se é que podemos chamar de segunda, terceira ou quarta onda, é que a gente não consegue falar do mais importante: somos uma civilização construída há três mil anos em cima do ódio pela mulher”, afirmou.
Para ele, os textos inaugurais da nossa cultura, tanto do lado judaico-cristão quanto do lado grego, colocam a mulher como a representante do mal. “Isso está no coração da nossa cultura. A mulher é um lugar onde todos – homens e mulheres – projetamos o mal que nos persegue. Então, a misoginia não é um acidente. Esse é um problema maior que a posição ocupada pela mulher na sociedade. Todos esses problemas são consequência desse ódio que se perpetua. Uma mudança pode vir a acontecer daqui para a frente se o feminismo colocar o dedo em cima disso”, anota.
A fala do psicanalista Contardo Calligaris foi dada em entrevista à revista E do Sesc, em março de 2018.
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