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Brasil pós-golpe faz o maior programa mundial de transferência de renda para os mais ricos

É caso para um estudo econômico detalhado, mas o governo de Michel Temer, com o apoio do PSDB, está fazendo, sem qualquer sombra de dúvida, o maior programa mundial de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos.

Alguns estudos já apontam para essa perspectiva sinistra para o Brasil, que é uma das maiores economias do mundo.

Desde que a Lava Jato permitiu a tomada do poder pelo Quadrilhão do PMDB, PSDB e partidos evangélicos, inciou-se um processo de reformas, que são na realidade um processo de transferência de renda, não apenas para os setores super-ricos, mas para os setores ricos da sociedade. A questão principal é: no que isso vai dar?

Em alguns casos, os grandes beneficiários não serão os setores ricos, mas os super-ricos. É o caso da reforma trabalhista. Um super-rico com 10 mil funcionários ganhará uma pequena fortuna, mas um classe média alta, com 10 funcionários, receberá uma quantia pequena dos seus funcionários ao implantar a retirada de recursos que a reforma trabalhista permite. Ainda assim, poderá reduzir a folha de pagamento e retirar folgas previstas anteriormente.

Mas a reforma trabalhista é só um dos pontos. Veja outros pontos da grande transferência de renda de pobres para ricos promovida pelo Brasil pós-golpe:

2. Manter o mesmo valor ou reduzir do salário mínimo, recursos que iriam para a população mais pobre.

3. Reforma da Previdência, que significa praticamente o fim da aposentadoria. Todo o recurso que iria para a população mais pobre, após a aposentadoria, não vai mais. Primeiro porque terão de trabalhar mais e, segundo, com grande chance de morrer antes de se aposentar.

4. Congelamento dos investimentos em saúde e educação. Isso afeta diretamente os pobres e a classe média. Com pior investimento em educação e saúde, os pobres morrem mais cedo, gerando um saldo positivo na Previdência, além de a educação pública ruim impedir a ascensão social das camadas de baixa renda.

5. Retirada de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) e benefícios para empresas de planos privados populares que não cobrem doenças graves. Com isso, os recursos dos mais pobres e classe média vão para esses planos em vez de ficar no bolso da população.

6. Sufocamento e redução dos recursos das universidades públicas, impedindo avanços científicos, bolsas de estudo e pesquisa que torne procedimentos e tecnologias mais baratos e beneficiem a população, principalmente as camadas mais pobres.

7. Liberação de 4 aumentos de faixa de preço nos planos de saúde de pessoas acima de 60 anos, retirando recursos da classe média e baixa para setores mais ricos.

8. Liberação de trabalho análogo à escravidão, realizada por portaria do governo Temer para beneficiar as piores práticas no setor agrícola. O salário e a saúde do trabalhador pobre do campo, em situação de escravidão, vão para o rico agronegócio.

9. Redução de impostos para os mais ricos. Proposta do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) para o programa automotivo Rota 2030, em elaboração pelo governo, prevê a concessão de benefício tributário a montadoras de carro de luxo, o que pode fazer com que esses veículos paguem menos imposto do que os populares.

10. Redução dos recursos para o programa Cisternas, que atende a população pobre do semiárido, impedindo que famílias tenham melhores condições de sobrevivência na seca.

11. Redução de recursos para financiamento de imóveis usados e ampliação de recursos para imóveis mais caros, retirando recursos dos que mais necessitam imóveis e transferindo para financiar imóveis para as camadas mais ricas.

12. Redução do programa Mais Médicos, que atende gratuitamente a população mais pobre do Brasil.

13. Desamparo e falta de assistência à população indígena, que sofre com assassinatos no campo.

14. Medidas aliviam maus pagadores e empresários-deputados com dívida com o governo.

15. Reforma no ensino médio dificulta a reflexão e a visão crítica capaz de gerar conhecimento e possibilidades para jovens estudantes.

Carta Campinas

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