EUA faz hoje com juízes brasileiros o que fez com sindicalistas na época da ditadura

O livro Disseram que voltei americanizado, de Larissa Rosa Corrêa, que expõe as estratégias dos EUA em relação aos sindicalistas brasileiros na época da ditadura militar, não revela somente o passado, mas também a situação atual do Brasil.

A pesquisadora, que defendeu o doutorado na Unicamp, revela que o governo americano, durante a ditadura brasileira (1964-1985) fomentou uma série de atividades, como viagens, cursos e palestras nos EUA, com o objetivo de formar novas lideranças capazes de implantar e desenvolver o modelo sindical norte-americano no Brasil. Segundo Larissa, essas atividades eram realizadas com o apoio dos setores mais anticomunistas e conservadores do movimento sindical brasileiro.

As estratégias ideológicas de poder dos EUA sobre outros países parecem ter mudado desde o fim da guerra fria, no final dos anos 80. Se na época da ditadura militar, os EUA treinavam sindicalistas brasileiros para combater o comunismo, hoje treinam juízes como Sérgio Moro, conforme revelou o jornal The Washington Post.   Aliás, é comum o juiz da Lava Jato citar o direito norte-americano em suas palestras para líderes dos PSDB. Talvez não seja coincidência que, na última décadas, vários países da América Latina tiveram golpes de fundo jurídico-parlamentar: Honduras, Paraguai e Brasil. Seria interessante fazer um levantamento de quantos juízes brasileiros foram fazer palestras e cursos nos EUA nos últimos dez anos.

A partir de uma grande pesquisa documental realizada no Brasil e nos arquivos diplomáticos norte-americanos, Larissa delimitou o trabalho sobre a influência norte-americana nos sindicatos brasileiros entre os anos de 1960 e 1970. “As atividades foram organizadas pelo Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre (Iadesil), que, por sua vez, possuía duas metas claras: apoiar a eliminação do que considerava “influências comunistas” nos sindicatos latino-americanos, e promover sua ideia de sindicalismo independente do Estado”, anota texto de Beatriz Maia, do Labjor Unicamp.

Para a pesquisadora, os relados das viagens dos sindicalistas brasileiros mostram encantamento com os Estados Unidos, mas podem ter percebido que teriam muito a perder com o modelo americano. Se antes havia o Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre, hoje temos o Movimento Brasil Livre, que apoia os juízes treinados nos EUA.

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