Quadrilha de militares presa no Rio tem coronel, tenente, capitão, major e até cabo

A polícia e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) prenderam 32 militares na terça-feira (12), em uma operação que visa cumprir mandados de prisão contra 38 pessoas, das quais 35 são militares que atuam no Corpo de Bombeiros. Eles são acusados de receber propina para conceder licenças a estabelecimentos comerciais.

Entre os 35 bombeiros denunciados estão 10 coronéis, sendo dois da ativa e oito da reserva, 8 tenentes coronéis, 2 majores, 8 capitães, um primeiro tenente, um subtenente, três segundos sargentos, um terceiro sargento e um cabo bombeiro.

O esquema de corrupção ocorria principalmente no setor de engenharia do 4.º Grupamento do Bombeiro Militar de Nova Iguaçu, do 14 º Grupamento do Bombeiro Militar de Duque de Caxias e do Grupamento de Operações com Produtos Perigosos, do qual participavam oficiais bombeiros militares responsáveis por expedir documentação indispensável para o funcionamento de qualquer estabelecimento comercial.

Durante as investigações, foram interceptadas conversas telefônicas sobre um esquema de corrupção para expedir alvarás mediante o pagamento de propina aos militares. Os comandantes de alguns batalhões estão entre os citados na operação.

De acordo com a polícia, os suspeitos se aproveitavam da condição de bombeiro militar para fiscalizar os estabelecimentos no intuito de notificar os responsáveis e, desta forma, provocar um acordo para negociar valores ilícitos.

Em seguida, emitiam um laudo de exigências contendo todos os requisitos de segurança contra incêndio e pânico, porém, mesmo sem o cumprimento destas normas, após o pagamento de propina, os criminosos expediam o documento que atestava o cumprimento de todas as exigências.

As investigações comprovaram que locais de diversões que reuniram grande público, inclusive um estádio de futebol, receberam as documentações sem cumprimento das exigências de segurança para proteção da vida das pessoas e do patrimônio, caso houvesse incêndio.

Os militares recebiam propina para expedir os laudos técnicos de diversos estabelecimentos comerciais, tanto de pequeno, médio e grande portes. Para conceder essas licenças os bombeiros deveriam avaliar as instalações hidráulica e elétrica, assim como o posicionamento da saída de emergência e outros aspectos ligados a segurança do local. As licenças eram vendidas por R$ 750 até R$ 30 mil, dependendo do tamanho do estabelecimento.

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