Artistas criam diálogo musical e cênico com primeiros filmes feministas da história

Em São Paulo- Denise Assunção, Karina Buhr, Georgette Fadel e Roberta Estrela D´Alva são as artistas convidadas do experimento cênico-cinematográfico dirigido pelo Coletivo Vermelha. Serão exibidos dois dos primeiros filmes feministas da história: Os resultados do Feminismo (França, 1906), de Alice Guy Blaché, e A Sorridente Madame Beudet (França, 1923), de Germaine Dulac. O espetáculo “Sessão muda, mas não calada” integra a programação da quarta edição do Projeto Cinema Falado e acontece nos dias 23, 24 de junho, às 21 horas, e no dia 25 de junho, às 18 horas, no Sesc Pompeia.

A francesa Alice Guy Blaché é uma das pioneiras do cinema, considerada a primeira mulher diretora e roteirista, além de autora do primeiro filme de ficção e do primeiro filme com atores negros. Entretanto, apenas recentemente sua memória começou a ser recuperada. O curta-metragem “Os resultados do Feminismo” retrata de forma irônica uma sociedade na qual o papel dos homens e das mulheres é invertido. Sob direção de Germaine Dulac, cineasta também de origem francesa e considerada uma das principais feministas radicais de seu tempo, o média-metragem “A Sorridente Madame Beudet” narra o cotidiano de uma dona de casa presa a um casamento sem amor que tenta livrar-se de um marido violento para poder se libertar das convenções sociais.

Enquanto os filmes são exibidos na tela, sem som, as artistas Denise Assunção, Karina Buhr, Georgette Fadel e Roberta Estrela D´Alva criam intervenções cênicas e uma sonoplastia em diálogo com as imagens projetadas, buscando enfatizar a atualidade das discussões sobre gênero presentes nos filmes. A performance, criada especialmente para o projeto Cinema Falado, conta com a direção criativa do Coletivo Vermelha, composto por diretoras, roteiristas e montadoras de São Paulo. “Existimos como coletivo desde 2014, mas nossas ações sempre foram relacionadas ao debate sobre a presença e a representação da mulher no audiovisual. É a primeira vez que nos juntamos para uma criação coletiva, a convite do Sesc, e estamos adorando”, afirma a roteirista Iana Paro, integrante do Coletivo.

O experimento cênico “Sessão muda, mas não calada” faz parte do projeto Cinema Falado do Sesc, que propõe uma reflexão sobre a voz no cinema e fomenta diálogos entre diversas linguagens artísticas. Realizado desde junho de 2016, o projeto já discutiu, ao longo de três edições anteriores, questões cinematográficas, como a atuação, a relação com a literatura e também a aproximação com a música. A quarta edição se debruça sobre a potencialidade política da voz do cinema e as relações entre filme e gênero, sua programação conta ainda com o mini-curso “Entre o Som e a Imagem, a performatividade dos gêneros (humano e cinematográfico) produzido por mulheres durante a década de 70”, ministrado pela pesquisadora da Unicamp Karla Bessa, e com o bate-papo “Olhar e Voz das Mulheres no Cinema”, que reunirá o Coletivo Vermelha e as cineastas Adélia Sampaio e Vera Egito, com mediação de Luísa Pécora, jornalista e criadora do portal Mulher no Cinema.

“Sessão muda, mas não calada”
Data: De 23 a 25 de junho de 2017.
Horário: Sexta e sábado às 21h, e domingos às 18h.
Local: Teatro do Sesc Pompeia. Capacidade: 302.
Endereço: R. Clélia, 93 – Pompeia, São Paulo – SP.
Tel: (11) 3871-7700
Valor dos ingressos: R$ 30 | R$ 15,00 | R$ 9,00
Venda limitada a 6 ingressos por pessoa.

Ficha Técnica
Direção dos Filmes: Alice Guy Blaché e Germaine Dulac.
Com: Denise Assunção, Karina Buhr, Georgette Fadel e Roberta Estrela D’Alva.
Direção do experimento cênico: Coletivo Vermelha – Caru Alves de Souza, Iana Cossoy Paro, Lillah Halla e Manoela Zigiatti.
Consultoria Cênica: Georgette Fadel.
Direção Musical: Karina Buhr.
Produção: Lara Lima | Lira Cinematográfica

Coletivo Vermelha

Coletivo de diretoras, roteiristas e montadoras formado por Manoela Ziggiatti, Lillah Halla, Caru Alves de Souza, Iana Cossoy Paro e Moara Passoni. Criado em São Paulo, em 2014, o coletivo se reúne periodicamente com a intenção de estudar e entender qual espaço as mulheres ocupam no meio audiovisual, tanto nos seus processos de produção e funções, como na forma em que a mulher é representada. Desde sua criação realizaram diversas ações nesse sentido, como o seminário “Quem tem medo das mulheres no audiovisual?” (no MIS São Paulo e Campinas), no início de 2016. No mesmo ano, organizaram a primeira palestra no Brasil da sueca Ellen Teyle (criadora do selo Bechdel) e criaram, no Festival Kinoforum, o Prêmio Vermelha – Spcine para um curta-metragem dirigido por mulher e que apresentasse uma narrativa e uma personagem mulher, desafiando padrões estereotipados de gênero. Este ano realizaram a mostra “Curta as Minas”, no Sesc Campo Limpo.

Alice Guy Blaché (1873-1968)

Considerada uma das pioneiras do cinema e a primeira cineasta a produzir um filme de ficção, estima-se que Alice Guy Blaché tenha dirigido mais de mil filmes em duas décadas de carreira. Foi ainda pioneira no uso de sincronização de som e imagem e de efeitos especiais, e uma das primeiras mulheres a administrar um estúdio próprio. Apesar do pioneirismo, a obra de Blaché permaneceu invisibilizada na história do cinema. Apenas recentemente ela recebeu homenagens póstumas, como a criação do prêmio “Alice Award”, em 2008, pela comissão de cinema de Fort Lee.

Germaine Dulac (1882-1942)

Uma das principais feministas radicais de seu tempo e editora de La Française, o órgão do movimento sufragista francês, Germaine Dulac foi uma figura de destaque no movimento impressionista cinematográfico francês. Sua obra foi marcada pela condenação dos valores burgueses e sexistas da classe média da qual fez parte. O casamento burguês, o homem ausente e as tentativas masculinas de suicídio no pós-guerra são alguns dos símbolos recorrentes em seu trabalho. Já em um período posterior, demonstra preocupação de representar personagens femininas progressistas.

Entre o Som e a Imagem, a performatividade dos gêneros (humano e cinematográfico) no cinema produzido por mulheres durante a década de 70

Mini-curso ministrado por Karla Bessa

O caráter performativo da construção do gênero e da sexualidade (feminino/masculino) é um pressuposto que mudou o rumo dos debates feministas desde início da década de 1990. Neste mini-curso, a performatividade de gênero será abordada à luz de teorias feministas contemporâneas, com foco direcionado para o diálogo entre imagem e som. O estudo será conduzido a partir de filmes dirigidos (e alguns concebidos e escritos) por mulheres realizadoras/diretoras, que desenvolveram uma perspectiva crítica da estética clássica e/ou moderna hollywoodianas e tentaram, a partir de suas experimentações narrativas, compor outros modos de mirar e dizer das relações entre feminilidade/masculinidade no âmbito da linguagem cinematográfica.

Os filmes que serão analisados no decorrer do mini-curso são Mar de Rosas (Ana Carolina, Brasil, 1978); ¿Y su mamá qué hace? (filme produzido coletivamente pelo Cine Mujer, Colombia, 1980); Guerillere Talks (Vivienne Dick, EUA,1978) e De Cierta Manera (Sara Gomez, Cuba, 1974).

Karla Bessa é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero PAGU/UNICAMP, Professora do Doutorado em Ciências Sociais/Unicamp, coordenadora do Projeto CinePagu. Autora de vários artigos com foco na leitura crítica do cinema sob uma ótica feminista, é uma das curadoras do Curta o Gênero de Fortaleza, foi curadora convidada do Programa Africa.Cont & Queer Lisboa em 2016.

05 a 07/07, quarta a sexta, das 19h às 22h
Oficinas de Criatividade
10 vagas
Credencial Plena – Inscrição a partir de 07/06 às 19h na Central de Atendimento
Demais categorias e público em geral – Inscrição a partir de 08/06 às 19h na Central de Atendimento
R$ 25,00 | R$ 12,50 | R$ 7,50
18 anos

Olhar e Voz das Mulheres no Cinema
Com Coletivo Vermelha, Adélia Sampaio, Vera Egito e mediação de Luísa Pécora

Bate papo sobre a presença das mulheres no cinema brasileiro, tanto em seus processos de produção e relações de trabalho, quanto na representação das mulheres nos filmes.

Coletivo Vermelha é um grupo de diretoras e roteiristas criado em São Paulo, em 2014, cujo objetivo é compreender qual o espaço ocupado pelas mulheres no meio audiovisual.

Adélia Sampaio é a primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, o filme Amor Maldito (1984). Dirigiu curtas-metragens e AI-5 – O dia que não existiu (2001), com Paulo Mark. Vera Egito é diretora dos premiados curtas-metragens Elo e Espalhadas pelo ar, e em 2016 lançou seu primeiro longa, Amores Urbanos.

22/06, quinta-feira às 20h30
Local: Teatro do Sesc Pompeia. Capacidade: 302.
Grátis. Distribuição de ingressos à partir das 19h30 na Bilheteria

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