Deputado do PSDB que fez relatório da CPI da Funai é acusado de invadir terra indígena

Deputado do PSDB, Nilson Leitão

Relator da CPI da Funai e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)[conhecida como bancada ruralista], o deputado do PSDB Nilson Leitão está entre os deputados que mais colecionam investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).

O blog De Olho nos Ruralistas fez essa constatação a partir de um levantamento do site Congresso em Foco, divulgado na sexta-feira: “Treze deputados acumulam 100 acusações criminais“.

O tucano responde a cinco inquéritos no STF. Eles vão de corrupção passiva a crimes de responsabilidade. O deputado também preside a Comissão Especial que analisa a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do governo federal para o Congresso a atribuição de aprovar a oficialização de terras indígenas.

Em 2015, o STF autorizou o Ministério Público Federal a investigar o deputado por suspeita de participação em um esquema para invadir e ocupar a Terra Indígena (TIs) Marãiwatsédé, do povo Xavante, no nordeste do Mato Grosso. A decisão foi do ministro Dias Toffoli e atendeu o pedido da Justiça Federal de Barra do Garças (MT) de remeter o processo ao STF, já que Leitão tem foro privilegiado. O processo está em segredo de justiça.

Nilson Leitão, que foi o coordenador da campanha de Aécio Neves (PSDB) no Mato Grosso e foi acusado pelo MPF (Ministério Público Federal) de desvio de R$ 100 milhões quando era prefeito de Sinop (MT).

O deputado já presidiu a CPI da Funai e do Incra, em sua primeira versão. O relatório final da Comissão Parlamentar tem mais de 3 mil páginas.

Além de inquéritos, Nilson Leitão coleciona projetos voltados ao setor do agronegócio a à exploração de terras. Ele é vice-presidente da Comissão Especial que analisa o projeto que permite explorar mineração em terras indígenas, Projeto de Lei (PL) 1610/1996. O deputado também votou a favor da alteração do Código Florestal, em 2012.

O deputado Nilson Leitão foi eleito pelo PSDB do Mato Grosso, voltou este ano a presidir a FPA, que se reúne todas as terças-feiras numa mansão no Lago Sul, em Brasília. É de lá que saem as principais decisões da bancada ruralista sobre projetos de lei e atividades na Câmara – como a própria CPI da Funai e do Incra. Leitão foi um dos que justificaram, nesta terça-feira, a proibição da entrada de indígenas na votação do relatório da Comissão Parlamentar. Ele também foi o autor do projeto que autoriza pagar trabalhadores rurais com alimento e moradia, como na época da escravidão. (Do site De Olho nos Ruralistas, com edição Carta Campinas)

 

Recent Posts

Não existe um só Carnaval, o Brasil é feito de inúmeros carnavais

(imagem tomaz silva - ag brasil) "Não existe só um carnaval. O nome deveria ser…

10 hours ago

Governo Lula aprova financiamento de R$ 251 milhões para a Sanasa

(foto rogério capela - pmc - divulgação) O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social…

1 day ago

Nas eleições, brasileiro poderá votar por trabalhar 12h e pagar por praias privatizadas

(foto reprodução redes sociais) Em 2026, o brasileiro terá uma 'escolha difícil' nas eleições presidenciais.…

2 days ago

População da Holanda já trabalha 4 dias por semana e carga horária de 32 horas

(imagem Metehan Demirkaya - pxl) Do 247 -A Holanda vem reduzindo silenciosamente sua jornada de…

2 days ago

Garage Fuzz traz seu hardcore melódico de volta a Campinas no Carnapunk

(foto divulgação) Enquanto boa parte da cidade se divide entre bloquinhos e marchinhas, a Blacaman…

2 days ago

84% dos brasileiros apoiam a escala de trabalho 5×2, com dois dias de folga na semana

(imagem Shivang kushwaha -pxl) Cerca de 84% dos brasileiros são favoráveis aos trabalhadores terem, no…

3 days ago