Coletivo Efêmeras estreia espetáculos do projeto cênico Terror em Cena em sessão dupla

(foto paula arielly – divulgação)

O terror como linguagem artística ganha o centro da cena em Campinas neste fim de semana com a estreia de dois espetáculos de dança-teatro do Coletivo Efêmeras que exploram o gênero a partir de experiências corporais e construções dramatúrgicas.

“Entre Tramas e Nós” e “Linha de Fuga” serão apresentados na mesma sessão, separados por um breve intervalo, no sábado (11) e domingo (12) no Espaço Cultural Maria Monteiro. Depois da estreia, a temporada segue por outros espaços em abril: Teatro Municipal Castro Mendes (dia 17), Centro Cultural Casarão (25 e 26) e Instituto de Artes da Unicamp (29).

As apresentações, todas com entrada gratuita, são parte do projeto cênico “Terror em Cena”, desenvolvido na Unicamp, e a concepção é do artista Guilherme Viégas. Em cena, cinco intérpretes — Eduarda Barone, Heloísa Duria, Maria Clara Torres, Maria Fernanda Sosa e Letícia Okuyama — conduzem o público por narrativas que tensionam o corpo como espaço de conflito.

As obras compartilham um processo de criação colaborativo que articula coreografia, música e dramaturgia, em conexão com referências da dança-teatro, especialmente inspirado na obra de Pina Bausch e em conceitos da coreomusicologia.

“Entre Tramas e Nós” acompanha a trajetória de um ser atravessado pela apatia e pela desesperança, atormentado por três bruxas que oscilam entre realidade, parecendo estar na sua frente, e imaginação, frutos apenas da sua mente. A montagem, explica o diretor Guilherme Viégas, é uma tragédia dançada que investiga o sofrimento psíquico a partir de uma atmosfera entre as frestas do real e do sobrenatural.

Já “Linha de Fuga” desloca o terror para o campo social, abordando as cicatrizes deixadas por violências cotidianas em uma sociedade atravessada pelo machismo e pelo preconceito . A obra articula quatro diferentes narrativas que se entrelaçam, criando uma espécie de polifonia cênica marcada por elementos do terror psicológico.

Medo, angústia e estranhamento

O processo criativo, conta a bailarina Heloísa Duria, exigiu um mergulho simultâneo na construção coletiva e nas próprias experiências subjetivas. “É um exercício constante de investigar o que nos atravessa e como traduzir isso em cena, sem perder a conexão com o público”, diz.

Mais do que recorrer a elementos tradicionais do gênero, o projeto aposta em estados de corpo não convencionais, trilhas sonoras imersivas e o uso de objetos pouco usuais para ampliar as possibilidades da dança contemporânea. O resultado é uma experiência que aproxima o espectador de sensações como medo, angústia e estranhamento.

Ao final, destacam os criadores, “Terror em Cena” propõe uma reflexão que ultrapassa o palco: como as violências do cotidiano reverberam nos corpos e na saúde mental. Ao mesmo tempo, aponta para a importância de redes de apoio e do reconhecimento dos sinais, muitas vezes silenciosos, do sofrimento psíquico. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: estreia 11 e 12 de abril de 2026
Horário: 19h30 (sábado) e 17h30 (domingo)
Local: Espaço Cultural Maria Monteiro
Endereço: R. Dom Gilberto Pereira Lopes, s/nº, Conj. Habit. Padre Anchieta, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
Classificação: 16 anos

PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES

17/4 (20h) – Teatro Municipal Castro Mendes – Praça Correa de Lemos, s/nº, Vila Industrial, Campinas-SP
25/4 (19h30) e 26/4 (17h30) – Centro Cultural Casarão – Rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, s/nº, Residencial Terras do Barão, Barão Geraldo, Campinas-SP
29/4 (19h30) – Instituto de Artes da Unicamp – Rua Elis Regina, 50, Cidade Universitária, Campinas-SP

Acessibilidade: as apresentações dos dias 11, 17 e 29/4 contarão com audiodescrição

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