Jovem, com bom trânsito entre os partidos que conspiraram no assalto ao Estado e sem retrospecto de corrupção, Marcelo Calero era um excelente nome para um governo golpista. Ele poderia fazer uma elo entre os golpistas e o setor a cultura que se posicionou contra o golpe.
Calero aceitou a empreitada, acreditando participar de um novo Brasil, talvez até tenha acreditado nas intenções do novo governo.
Em pouco tempo, percebeu o que significa um golpe de Estado. Ou seja: percebeu que quem dá golpe de Estado não tem mínimo apreço pelas regras legais e democráticas.
A maioria dos golpes Estado é uma tentativa de assalto às riquezas do país. Em países com regras democráticas, inevitavelmente é um assalto.
Mas o baiano Geddel Vieira Lima (PMDB) mostrou para Calero o que significa participar de um golpe, pressionando para um ato de corrupção. “Não desejo isso pra ninguém. Estar diante de uma pressão política, diante de um caso claro de corrupção. Pensei: ‘Esse cara é louco, esse cara é maluco'”, disse Calero após deixar o cargo de ministro da Cultura.
Poderia ter saído antes, logo que foram divulgados os áudios do senador Romero Jucá (PMDB) tramando o golpe de Estado para conter o combate à corrupção.
Antes de deixar o ministério, Calero comunicou a corrupção ao presidente Temer, que não fez nada.
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