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Documentário, feito a partir de tese da Unicamp, mostra relação do nazismo com trabalho escravo

O documentário Menino 23 – infâncias perdidas no Brasil, de Belisário Franca, que é baseado em uma tese defendida na Faculdade de Educação da Unicamp, vai disputar uma indicação ao Oscar 2017.

O documentário, que mostra uma relação entre o nazismo e o trabalho escravo no Brasil, será exibido no próximo dia 21, das 14 às 18 horas, no auditório da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), seguido de um debate sobre a pesquisa. Veja abaixo o trailer.

A tese “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância no Brasil (1930-1945)”, foi defendida pelo historiador Sidney Aguilar em 2011 e teve a orientação da professora Ediógenes Aragão. Naquele ano, a tese recebeu o Prêmio Capes.

O historiador contou ao site da Unicamp que ao investigar a época do Estado Novo, nas décadas de 1930 e de 1940, descobriu que 50 meninos, na maioria negros, com idade entre nove e 11 anos, foram retirados de um orfanato do Rio de Janeiro e levados a uma fazenda no interior de São Paulo. Lá eles viveram o pesadelo do trabalho escravo na lavoura, sem remuneração e com castigos físico e psicológico.

Mas a tese propriamente  começou quando, em uma de suas aulas, uma aluna contou que, na fazenda onde vivia, em Campina do Monte Alegre, foram encontrados tijolos marcados com a suástica nazista, adotada por organizações militares e nacionalistas, que depois foi transformada em símbolo do regime nazista. O pesquisador se instalou nesse município. Ali teve contato com os primeiros indícios de se tratar de uma simbologia nazista presente na propriedade rural em um contexto de simpatia aos ideais de racismo e autoritarismo no Brasil.

O historiador conseguiu encontrar dois sobreviventes dessa exploração. Aloísio Silva (o “menino 23”) e Argemiro dos Santos (o “Dois”), chamados por números, falaram de suas histórias pela primeira vez no documentário.

Pouco tempo depois, Aloísio morreu, aos 93 anos. Entre os relatos, soube-se que Argemiro fugiu daquela fazenda, morou nas ruas de São Paulo, foi engraxate e hoje, com mais de 90 anos, mora em Foz do Iguaçu. Os meninos que foram trabalhar na fazenda lá permaneceram por quase dez anos. 

Os documentos, tijolos e fotos da pesquisa estão agora sob a guarda do Arquivo Edgar Leuenroth (AEL) da Unicamp.  (Carta Campinas com informações do site da Unicamp . Veja mais informações no Jornal da Unicamp)

Carta Campinas

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