Em 1964, o golpe com armas, durou 21 anos. Em 90 anos, apenas 5 presidentes eleitos completaram o mandado. Agora é uma tentativa parlamentar que cassa os votos da população nas últimas eleições presidenciais.
É essa lembrança que Jânio de Freitas traz hoje na sua coluna na Folha de S.Paulo. Para ele, o Brasil é inapto para a democracia.
“Chegamos a mais uma encruzilhada. Vem de longe a motivação mais profunda que aí nos põe: democracia não é para qualquer um, e o Brasil não tem aptidão para vivê-la. É historicamente inapto, como provam suas poucas e vãs tentativas. A democracia exige certo refinamento. Sua difícil construção exige, para os passos iniciais que jamais completamos, algum desenvolvimento mental da minoritária camada da sociedade que detém os instrumentos de direção do todo; e, para levá-lo a resultados razoáveis, alguma qualidade moral, a que podemos até chamar de caráter, dessa camada”.
Em muitos dos deputados a favor do impeachment, que fizeram discursos nas últimas horas na Câmara Federal, só comprovam o desprezo pela democracia. Os discursos refletem, nas entrelinhas e nas próprias linhas, o coronelismo. Poucos tentaram se pautar pelas regras constitucionais.
Como diz Jânio, falta aptidão e caráter para a democracia. E isso tudo se expressa nas duas figuras simbólicas do golpe: Eduardo Cunha e Michel Temer.
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