Após violência da PM de Alckmin, organizações engrossam protesto da tarifa

Organizações populares, entre elas os coletivos Juntos, Rua Juventude Anticapitalista e o Sindicato dos Metroviários, se concentraram na Praça Sé e saíram em caminhada para se juntar ao ato convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), no Theatro Municipal. Representantes do grupo informaram que a intenção era chamar atenção para a violência policial na repressão à manifestação de terça-feira (12). A mobilização faz parte da série de protestos na capital paulista contra o aumento da tarifa de transporte público, que passou de R$ 3,50 para R$ 3,80.

Eles encontraram uma aglomeração maior de manifestantes na Praça Ramos de Azevedo, onde fica o teatro, por volta das 17h30. O percurso foi acompanhado por cordões laterais de policiais da Força Tática e do Batalhão de Choque. A universitária Luana Gurther, do Juntos, informou que os grupos formaram um bloco para agregar outros temas aos protestos. “Lembrar a luta contra o ajuste fiscal, que tende a continuar forte, e pautar as lutas democráticas para dar vazão às de 2013.”

Altino Melo, presidente do Sindicato dos Metroviários, afirmou que são os empresários que devem pagar pelo custo do transporte público e não os trabalhadores. “Quando nos deslocamos, são eles que ganham. Seja porque vamos trabalhar para eles, seja porque vamos consumir produtos produzidos por eles.” Ele destacou que a entidade participa dos atos e defende a redução da tarifa com a perspectiva de uma tarifa zero.

O deputado estadual Carlos Gianazzi (Psol) também participou da concentração. Segundo ele, o partido entrou com representação no Ministério Público para apurar a ação da Polícia Militar na terça-feira. “Além disso, como deputado, apresentei requerimento na Assembleia Legislativa para que o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, seja convocado para esclarecer a atuação das forças policiais.”

Custo do Transporte

Enquanto o grupo caminhava pelas ruas do centro da capital paulista, trabalhadores da região manifestavam apoio ao protesto. De acordo com o comerciante Gilton Pereira, 50 anos, o valor de R$ 3,80 realmente é abusivo. “Está correto [protestar]. Tem de fazer alguma coisa. Isso é muito caro. É um absurdo um salário mínimo com esse valor e a passagem a R$ 3,80.” Pereira, no entanto, discorda que haja o patrimônio público seja danificado. “Quebra-quebra não pode.”

“Uso metrô, trem e ônibus”. Este é o cotidiano da recepcionista Ana Lúcia Galera para se deslocar diariamente ao trabalho. “Eu pagava aproximadamente R$ 10 por dia, mas hoje pago cerca R$ 13. O patrão banca uma parte, mas a gente também paga. Tem de lembrar isso.” Moradora do Capão Redondo, no extremo sul da cidade, ela disse que o alto custo da passagem fez com que ela deixasse de passear nos fins de semana. “Antes, era R$ 2 e até dava. Com esse valor, se sair de casa não vou ter para trabalhar”, reclamou.

Integrante do MPL, o estudante Matheus Preis afirmou que são exemplos como este que explicam a mobilização do movimento. “Reforçamos que a primeira violência é o custo da tarifa, que exclui as pessoas do transporte. Os setores mais precarizados da classe trabalhadora muito vezes têm de escolher entre tomar um lanche ou voltar para casa. Cada aumento exclui mais pessoas do acesso à cidade”, concluiu.(Agência Brasil/ Camila Maciel)

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