Michael Moore é genial em Sicko, um filme sobre o sistema de saúde no mundo

O cineasta norte-americano Michael Moore fez uma genial obra em Sicko.

Elee parece ter chegado ao limite de qualidade documental que seu estilo de fazer filme se propõe. A ironia, o humor e a graça estão diante do abismo presente na imbecilidade e na brutalidade humana. É assim também nos filmes de Charles Chaplin. Há uma fio condutor entre a ficção e o documentário que liga Moore a Chaplin e esse fio é essa relação entre o riso e a desgraça humana, normalmente gerada e produzida pelo próprio homem. O documentário é de 2007, mas deve ser atual por mais algumas décadas.

Há momentos literalmente fantásticos e fortes em Sicko e eles não são poucos. Logo no início ele retrata o custo de se reconstituir dois dedos da mão de um cidadão norte-americano, entrevistado do filme. É preciso escolher entre um e outro dedo porque o preço da cirurgia é absurdamente alto e não existe o SUS. O cidadão norte-americano faz apenas a cirurgia do dedo mais barato.

Mas o momento mais dramático do documentário não é a visita a Cuba. No esse trecho, o país do Caribe se dispõe a dar tratamento aos bombeiros e voluntários que trabalharam na tragédia de 11 de setembro, das torres gêmeas, e foram abandonados pelo governo dos Estados Unidos. Isso mesmo que você leu, voluntários que trabalharam no salvamento do ataque às torres gêmeas foram abandonados pela sociedade americana, ou melhor, são livres para morrer doentes.

O momento mais dramático também não é trajetória brilhante e tortuosa da secretária de Estado, Hilary Clinton. Nem a transformação de médicos em cangaceiros dos planos de saúde. Tudo isso é o pesadelo americano, não o sonho. Mas talvez não seja o pior.

O mais dramático do filme, o mais dolorido para um cidadão dos Estados Unidos e para nós brasileiros, é ouvir as entrevistas que acontecem na Inglaterra, no Canadá e na França. É genial porque é natural, mas soa como provocação. Daí o ódio de muitos norte-americanos a Michael Moore, inclusive um dos personagens do documentários que mantém um site anti-Moore, mas é abandonado pelo plano de saúde, recebe dinheiro anônimo do cineasta para fazer tratamento da esposa.

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