Brasil é o primeiro país do mundo a liberar o comércio de eucalipto transgênico

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (9) a liberação comercial do eucalipto transgênico. A liberação foi solicitada pela FuturaGene Brasil Tecnologia Ltda, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose. Segundo nota divulgada pelo CTNBio, foram 18 votos a favor e 3 contra. A espécie liberada é a Eucalyptus spp L., contendo um gene da planta Arabidopsis thaliana.

De acordo com a empresa, com a decisão, o Brasil é o primeiro país liberar o eucalipto geneticamente modificado. Técnicos da FuturaGene disseram que o eucalipto modificado tem 20% mais de produtividade e poderá ser usado na produção de madeira, papel, entre outros itens.

Em março deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma unidade de pesquisa em Itapetininga, no interior paulista, onde a FuturaGene e a Suzano Celulose desenvolvem a espécie geneticamente modificada, em protesto contra a liberação de uma variedade transgênica de eucalipto.

Em Brasília, militantes ocuparam o escritório da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). De acordo com o MST, a variedade consome mais água que as plantas naturais e coloca em risco a produção brasileira de mel, que tem no eucalipto uma de suas fontes de produção.

Líderes do movimento temem que, com a introdução do transgênico, as abelhas contaminem a produção com os elementos da nova variedade. Assim, o mel nacional poderia sofrer restrições no mercado internacional, além de possíveis ameaças à saúde dos consumidores e das abelhas.

A CTNBio informou que a planta é testada desde 2004 e foi avaliada quanto a aspectos agronômicos, segurança ambiental, possíveis efeitos danosos a espécies de abelhas com e sem ferrão. A comissão lembrou que foi feita uma audiência pública, em setembro do ano passado e que houve discussões nas quatro subcomissões setoriais permanentes da CTNBio.

Também por meio de nota, a FuturaGene destacou que a liberação permitirá que se produza mais com menos recursos, além de garantir a sustentabilidade. Segundo a empresa, a nova tecnologia será disponibilizada aos pequenos produtores sem o pagamento de royalties, uma vez que já são parceiros da Suzano Papel e Celulose no programa de fomento florestal.

Ainda cabe recurso da aprovação pelo CNTBio. Após a publicação no Diário Oficial da União, haverá prazo de 30 dias para interposição de recursos no Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). Os recursos, caso ocorram, serão julgados pelo próprio conselho. Somente depois de notificada pelo CNBS, a empresa poderá registrar o produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e iniciar a comercialização. (Agência Brasil)

Recent Posts

Ciclo sobre cinema e psicanálise exibe e debate sobre o filme Quarto 212

(imagem divulgação) O projeto “O Eu, o Isso e o Cinema” realiza no sábado, dia…

27 minutes ago

Espetáculo de teatro de animação ‘O Princípio do Espanto’ tem apresentação gratuita

(imagem divulgação) Na próxima quinta (10/09), a partir das 19h30, será apresentado no Auditório da…

18 hours ago

A construção do comum na consciência de classe estrutural

(imagem reprodução divulgação) Imagina uma fábrica ou empresa hipotética em que, em determinado momento, perto…

1 day ago

Criolo mostra em Campinas uma trajetória que nunca coube apenas no rap

(foto divulgação) Criolo chega a Campinas no dia 19 de setembro com um show que…

1 day ago

Senadores já discutem pedido de impeachment contra André Mendonça

Senadores da República articulam a apresentação de um pedido de impeachment contra o ministro do…

2 days ago

Banda campineira Forróbaile lança o primeiro álbum em show gratuito na Sala dos Toninhos

(foto reprodução - instagram) A banda campineira Forróbaile apresenta ao vivo, pela primeira vez, o…

2 days ago