Sítios arqueológicos de 3 mil anos ficarão submersos com usinas hidrelétricas

Água armazenada nas barragens de usinas coloca riquezas arqueológicas embaixo d’água

O desenvolvimento do país está trazendo novos prejuízos para a sociedade e alguns são históricos. Segundo o arqueólogo Eduardo Góes Neves, muitos sítios arqueológicos estão sendo destruídos na Amazônia por causa da construção de usinas. A água armazenada pelas barragens, quando liberada pelo vertedouro, inunda as áreas ao redor e coloca embaixo d’água pinturas rupestre e demais riquezas arqueológicas.

Arqueólogo Eduardo Góes Neves

Um exemplo é o caso da barragem de Santa Isabel, no rio Araguaia. Pinturas rupestre de cerca de 3 mil anos ficarão submersas pela água armazenada e um estudo ambiental feito para a construção da usina constatou a existência de 568 sítios arqueológicos na região. Acredita-se que cerca de 40 sítios arqueológicos já tenham sido destruídos em nome desse crescimento.

“A Amazônia está virando exportadora de energia e vive uma política energética pior que da ditadura”, afirma o arqueólogo. Além desses problemas históricos, a água da barragem da usina de Santo Antônio está causando a erosão do Rio Madeira e consequente desbarrancamento da cidade de Porto Velho (RO). A polêmica usina de Jirau também se encontra neste rio.

Contudo, os índios, que também sofreram perdas inestimáveis, estão se juntando contra esses empreendimentos. “Tribos diferentes estão se unindo para brigar contra as sete barragens no Rio Tapajós; estão se unindo para enfrentar um inimigo em comum, nós”, comemora Neves.

Arqueologia

Segundo o arqueólogo Eduardo Góes Neves, a profissão está virando um negócio e isso faz com que os novos profissionais não se importem com causas como a submersão de riquezas arqueológicas por causa da água das barragens de usinas.

“A arqueologia está virando um negócio, os novos profissionais só pensam em montar empresa”, lamenta Neves. “Além dessa questão das hidrelétricas, tem a do mercado negro das peças arqueológicas, a maioria dos profissionais nem quer saber, só se importam um pouco com impacto ambiental porque dá dinheiro”, critica.

O mercado negro de obras históricas é a compra dessas peças dos moradores da região Amazônica por um preço muito menor do que será vendido no exterior. Uma peça pode ser comprada por poucos dólares e ser revendida por mais de 200 mil da moeda.

(Por Claudia Müller, da Rede CartaCampinas).

 

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