Índios já padecem nas drogas e não conseguem manter as tradições
O desenvolvimento econômico tem estado presente nas mais diversas áreas da nossa sociedade. Contudo, essa atividade pode influenciar e penetrar em comunidades mais antigas, que se mantinham “puras” e imutáveis. Um exemplo desse processo, iniciado há 500 anos, é a chegada do não índio ao território indígena na Amazônia, levando doenças, drogas e outras práticas maléficas às tribos.
Além disso, para os índios é um desafio se manter nas tradições com essas influências externas, um reflexo é a perda da língua entre as novas gerações em certas tribos. Isso se dá pela falta de interesse dos mais novos em aprender os costumes com os idosos e, também, pela morte dos índios mais velhos.
A aproximação cada vez mais efusiva dos não índios às tribos levou os hábitos de vestimentas, certa tecnologia e outras práticas comuns fora desse ambiente. Porém, esse relacionamento fez com que hoje índios de 10 anos já tenham problemas de alcoolismo e dependência química, como os da tribo Tikuna, na fronteira com a Colômbia. Além disso, lideranças dos índios Carajás dizem que o alto índice de suicídio na tribo é devido ao álcool, drogas e abandono.
Uma pesquisa encomendada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e coordenada pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a cada 10 índios, 4 estão envolvidos com drogas, principalmente o álcool. Segundo o general titular da Secretaria Paulo Roberto Yog de Miranda Uchoa, a bebida é a porta de entrada para outras doenças e metade dos índios entrevistados gostaria de ajuda para sair do vício.
O geógrafo e pesquisador da USP Ariovaldo Umbelino de Oliveira deposita certa responsabilidade na Funai (Fundação Nacional do Índio) pela entrada desses produtos. “A Funai tem de preservar as áreas indígenas para que ninguém chegue lá, mas ela não faz isso, aí as drogas e outros produtos chegam”, afirma.
Uma medida que tenta solucionar essa vulnerabilidade é a criação das reservas indígenas, que são áreas demarcadas para uso exclusivo das tribos. Nesses locais, valem as regras e as leis dos índios. Contudo, existem críticas a essa demarcação que dizem que essa delimitação é uma forma de segregar as tribos.
Diante desses fatores, o geógrafo Ariovaldo Umbelino diz ser favorável à criação de reservas indígenas porque seriam uma forma de proteger os índios dessas influências e os manter unidos em uma região, podendo-se assim manter as tradições. “A reserva indígena tem de ser feita para manter a cultura e a diversidade dos povos indígenas, não por interesses pessoais”, ressalta. (Por Claudia Müller, da Rede CartaCampinas)
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