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Um debate eleitoral para presidência da República sem checagem ao vivo sobre a veracidade das afirmações dos candidatos é manipulação eleitoral. As emissoras de TV tem total capacidade com seus próprios jornalistas ou, inclusive com o apoio de empresas de checagem, sobre cada afirmação dos candidatos. Ao não fazer a checagem, as emissoras estão produzindo desinformação.
A ausência de mecanismos de checagem de fatos incorporados às transmissões de debates eleitorais voltou ao centro da discussão após Flávio Bolsonaro divulgar 110 informações falsas e divulgar pelo menos 10 mentiras graves ao vivo e sem contestação da emissora durante o debate realizado pela TV Bandeirantes em 18 de outubro de 2026 e na entrevista do Canal Livre.
Embora declarações dos candidatos tenham sido verificadas por organizações independentes, a falta de uma estrutura permanente e ao vivo em tempo real de contestação e contextualização jornalística durante a transmissão é alvo de críticas de profissionais e entidades de checagem. A falta de checagem faz das emissoras de TV cúmplices do processo de desinformação da extrema direita.
A discussão sobre a checagem de declarações de candidatos em debates eleitorais envolve três questões centrais: a responsabilidade jornalística das emissoras, o direito do público à informação verificável e as formas de mobilização da sociedade para cobrar transparência e rigor na cobertura das eleições.
Em editorial publicado em 19 de outubro, a Agência Lupa relatou que, há mais de uma década, tenta viabilizar a checagem em tempo real nos debates televisivos brasileiros. Segundo a organização, as negociações com emissoras, portais e organizadores frequentemente esbarram na resistência de campanhas eleitorais, em interesses comerciais e em dificuldades relacionadas à interpretação das regras eleitorais. A entidade afirma que já apresentou propostas como a exibição de alertas na tela, intervenções de checadores entre os blocos e a divulgação de um balanço das principais declarações falsas ou enganosas logo após os programas.
Entre as principais reivindicações está a incorporação da checagem às regras dos debates. Uma das propostas é que as emissoras estabeleçam previamente um protocolo público para verificar declarações factuais durante a transmissão, com critérios objetivos para selecionar afirmações que possam ser confrontadas com evidências. O procedimento poderia incluir a participação de jornalistas especializados, a exibição de informações resumidas na tela e a publicação de verificações completas no site da emissora.
As emissoras também podem ampliar a cooperação com organizações independentes de verificação de fatos, universidades e instituições de pesquisa. A parceria com equipes especializadas permite distribuir o trabalho de apuração e consultar fontes confiáveis com maior rapidez.
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