Festival de fotografia Hercule Florence chega à 16ª edição com o tema ‘Territórios em Transformação’

Imagem de Rogério Assis (foto divulgação)

Com o tema “Territórios em Transformação – Da Expedição Langsdorff à Crise Climática”, o Festival Hercule Florence chega à sua 16ª edição este mês, ocupando as ruas da cidade e espaços culturais com exposições, exibição de documentários, performances, oficinas, palestras, música e intervenções urbanas entre os dias 5 e 23 de agosto.

Em um encontro entre fotografia, arte, ciência e meio ambiente, o festival propõe uma reflexão sobre os impactos da ação humana nas paisagens, comunidades e nos espaços urbanos ao longo do tempo, convidando a pensar sobre memória, apagamentos e o papel da fotografia como instrumento de preservação do passado e do presente.

A proposta ecoa a trajetória de Hercule Florence, cujos registros produzidos durante os mais de 13 mil quilômetros percorridos na expedição comandada por Georg Heinrich von Langsdorff, entre 1825 e 1829, revelam um Brasil que já não existe, um conjunto que é hoje um valioso testemunho da geografia, fauna, flora e dos povos originários do país no século XIX.

A abertura do festival será nesta quarta-feira (5), com a exposição “A Oitava Arte: Fotografia, Arte Essencial II”, no Centro de Convivência Cultural de Campinas. A mostra, em cartaz até o dia 29, reúne 48 obras de 24 fotógrafos que apresentam diferentes olhares, linguagens e abordagens da fotografia como expressão artística. Em sua segunda edição, a exposição tem curadoria de Ligia Testa e Rosita Cavenaghi.

“A ideia de chamar a fotografia de oitava arte é sedutora, ainda que não seja consensual. A fotografia deixou de ser apenas um registro técnico para se firmar como uma das linguagens centrais da arte e da cultura visual contemporânea. Sem fotografia, não há cultura imagética como a conhecemos hoje”, afirma Ligia Testa.

Para Rosita Cavenaghi, a fotografia deve ser compreendida também por sua dimensão social. “A fotografia molda a nossa memória coletiva, redefine a forma como percebemos o real e democratiza a produção de imagens. Hoje, além de sustentar grande parte da cultura visual contemporânea, ocupa um papel central na maneira como registramos, interpretamos e compartilhamos o mundo”, afirma.

O idealizador e presidente do Festival Hercule Florence, Ricardo Lima, destaca a inclusão da exposição na programação oficial deste ano como uma união de forças, dando visibilidade e fortalecendo iniciativas dedicadas à fotografia. “É uma excelente oportunidade para apresentar o seu olhar, compartilhar a sua linguagem e fazer parte de uma mostra que valoriza a fotografia como expressão artística essencial”, diz.

Ao todo, o festival terá seis exposições, com trabalhos de fotógrafos do Brasil, Canadá e França, além de experiências imersivas e ações que rompem as paredes das galerias e levam as imagens fotográficas para as ruas de Campinas. Entre elas, estão as projeções em fachadas, colagem de lambe-lambes e uma caminhada fotográfica pelo Centro histórico.

Entre as oficinas, um dos destaques é “Sudários”, com Alessandro Celante, em que os participantes imergem em uma piscina com água e gelo seco, deixando apenas o rosto aparente na superfície. Depois a imagem flagrada é revelada em tecido com técnicas históricas, como marrom Van Dyke e cianotipia.

A programação inclui bate-papos com nomes como Lalo de Almeida, vencedor do World Press Photo, e Rogério Assis, que debatem a documentação em imagens das transformações socioambientais contemporâneas em “Territórios em Transformação”, tema que norteia o festival.

Fotógrafos que estão iniciando seus trabalhos autorais também terão oportunidade de apresentar seus portfólios a profissionais da área, recebendo análises, comentários e sugestões sobre aspectos técnicos, estéticos e conceituais de suas imagens.

O festival ainda expande a ideia de leitura e registro do território para além das fotos e marca o encerramento desta edição com uma batalha de MCs e projeção de vídeos produzidos em comunidades periféricas de Campinas. (Com informações de divulgação)

PROGRAMAÇÃO

  • 5 de agosto | quarta-feira

19h – Abertura da exposição “A Oitava Arte: Fotografia, Arte Essencial II”, com trabalhos de 24 fotógrafos.
Local: Galeria Ligia Testa – Centro de Convivência Cultural

  • 7 de agosto | sexta-feira

18h – Abertura de Broken Forests Group, exposição internacional que reúne artistas brasileiros e canadenses em torno das relações entre território e preservação ambiental.
Local: Galeria Foto Ponto

  • 8 de agosto | sábado

10h às 13h – Abertura da exposição “Ela Ficava Muda Debaixo do seu Cinza”, de Carolina Engler, seguida de roda de conversa com a artista.
Local: Ozipa Criativa

A partir das 14h – Abertura de exposição às 14h, performances “Journey of the Unseen”, com Quan Steele e Norma Vieira, às 16h, e “WALA (firewitch)”, às 18h, e show com a Brokenz Band às 19h.
Local: Tote Espaço Cultural

15h às 17h – Bate-papo “Territórios em Transformação”, com Lalo de Almeida e Rogério Assis, com mediação de Suzana Barreto.
Local: Sesc Campinas

  • 11 de agosto | terça-feira

17h30 às 21h – Oficina “Sudários – Dia 1”, com Alessandro Celante. Abertura e apresentação do projeto, seus fundamentos teóricos, e a experiência sensorial imersiva com registro das máscaras.
Local: Sesc Campinas

  • 13 de agosto | quinta-feira

19h – Abertura da exposição itinerante “O Que os Olhos Não Veem”, uma visão da fotógrafa francesa Alexa Brunet sobre crenças populares, cosmologias originárias e práticas espirituais brasileiras.
Local: MIS Campinas

19h às 21h – Oficina “Câmera Caixote Lambe-Lambe”, com Marcos Zaniboni.
Local: Sesc Campinas

  • 14 de agosto | sexta-feira

10h às 13h – Oficina “Princípios da Fotografia”, com Ricardo Hantzschel.
Local: Sesc Campinas

14h às 17h e 18h às 21h – Oficina “Sudários – Dia 2”, com Alessandro Celante. Dois módulos de laboratório, dedicados às técnicas fotográficas marrom Van Dyke e cianotipia, seguidos da construção das máscaras em tecido.
Local: Sesc Campinas

  • 15 de agosto | sábado

8h – 20ª Mostra Anual de Fotojornalismo da Arfoc-SP
Exposição ao ar livre, com 50 cavaletes expositivos.
Local: Praça Imprensa Fluminense, Cambuí

  • 18 de agosto | terça-feira

19h30 – Sessão solene de entrega da Medalha Hercule Florence.
Local: Câmara Municipal de Campinas

  • 19 de agosto | quarta-feira

10h – Abertura da exposição “Langsdorff 200 em Campinas”, conectando ciência, patrimônio e imagem.
Local: Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora) – Unicamp

  • 20 de agosto | quinta-feira

20h – Palestra com o fotógrafo Cubano Yasmany.
Local: Galeria Foto Ponto

  • 21 de agosto | sexta-feira

10h – Palestra “Fotografia Contemporânea, Híbrida ou Expandida: Fabulações sobre a Natureza em Vórtice”, com Yara Schreiber Dines.
Local: Senac Campinas

14h às 17h – Leitura de portfólios fotográficos, um espaço de orientação e troca de experiências com profissionais da área.
Local: Senac Campinas

15h às 22h – “A Cidade Revelada”, videomapping, intervenções visuais e apresentações de DJs no Centro Histórico
Local: Praça Bento Quirino

  • 22 de agosto | sábado

9h às 12h – Expedição “Caminhos de Hercule Florence em Campinas”, um roteiro cultural guiado pelo centro histórico de Campinas, passando por marcos e patrimônios urbanos ligados à história da fotografia.
Local: a caminhada começa no Senac e termina na Galeria Foto Ponto

  • 22 e 23 de agosto | sábado e domingo

11h às 20h – 2ª Feira de Autores de Fotografia
Artistas, editoras independentes, lançamentos, minipalestras e varal de troca de fotografias.
Local: Galeria Foto Ponto

14h às 16h – Oficina “Gambiarra em Família: Construindo uma Pinhole”, com Roger Hama Sassaki.
Local: Sesc Campinas

  • 23 de agosto | domingo

10h – Encerramento Coletivo dos Lambe-lambes, com colagem por voluntários, artistas e público.
Local: Galeria Foto Ponto

15h – Encerramento oficial, com batalha de MCs, projeção de vídeos e exposição de fotos do festival;
Local: Sala dos Toninhos

ENDEREÇOS
Centro de Convivência Cultural – Praça Imprensa Fluminense, s/n°, Cambuí.
Galeria Foto Ponto – R. General Osório, 1.631, Cambuí.
MIS Campinas – Rua Regente Feijó, 859, Centro · Campinas.
Sala dos Toninhos – R. Francisco Teodoro, 1.050, Vila Industrial, dentro da Estação Cultura.
Tote Espaço Cultural – Av. D. Maria Franco Salgado, 260, Sousas.
Ozipa Criativa – R. Bortolo Vicentini, 455, Jardim Monte Cristo.
Senac – R. Sacramento, 490, Centro.
Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333, Bonfim.
Bora – R. Sérgio Buarque de Holanda, 441, Cidade Universitária.
Câmara de Campinas – Av. da Saudade, 1.004, Ponte Preta.

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