Categories: Economia Política

Grandes empresários atacam fim da escala 6×1 e querem manter jornada escravocrata

Paulo Skaf (foto lula marques – ag brasil)

Governo, oposição, empresários e sindicatos dos trabalhadores discutem no Senado, nesta quarta-feira (1º), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de 6×1, em audiência pública no plenário da Casa. A PEC completou mais de um mês travada na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Grandes empresários dos setores do comércio, dos transportes e da indústria e senadores da oposição criticaram a PEC, alegando que a proposta eleva custos do trabalho e prejudica a economia, esquecendo dos últimos 100 anos de avanços tecnológicos e redução do quadro de funcionários.

Os líderes patronais defendem que a jornada seja definida por negociação direta entre empregados que vendem apenas a força de trabalho e precisam de emprego para sobreviver e empregadores, que controlam os meios de produção e recursos financeiros, e não por mudança legislativa.

Os representantes de centrais sindicais e do governo federal ponderam que os custos da PEC para economia são pequenos, semelhantes a um aumento de salário mínimo.

Para os defensores da proposta, os trabalhadores estão exaustos da escala 6×1 e precisam de mais tempo para família, estudos e lazer.

Além de instituir dois dias de descanso por semana, a PEC reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

O presidente da Federação de Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), Ivo Dall’Acqua, destacou que o desafio não é escolher entre trabalhar “mais ou menos”, mas como o Brasil pode “produzir mais”.

“O problema não é o trabalhador. O problema é a produtividade da economia. Primeiro, precisamos produzir mais riqueza, depois, distribuí-la. Foi esse o caminho percorrido pelas economias que hoje servem de referência internacional”, argumenta o empresário. Mas a Federação se esquece dos ganhos de produtividade nos últimos 100 anos.

Exaustão
O ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, avalia que os custos econômicos da PEC podem ser absorvidos pelas empresas, assim como a economia absorve aumentos reais do salário mínimo.

“[Estudo do Ipea calculou um impacto] de 7,8%, que é algo proporcional ao aumento real de salário mínimo. Aumentou-se o salário e nenhuma empresa faliu. Nenhuma empresa deixou de operar, não houve desemprego. Ao contrário, nós estamos na menor taxa de desemprego da série histórica no Brasil”, defendeu Boulos.

Estudos sobre o tema têm divergido em relação aos impactos da PEC do fim da 6×1 em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), inflação e nível de emprego.

Segundo o ministro, para além da discussão econômica, a PEC do fim da 6×1 traz benefícios humanos para milhões de trabalhadores.

“No ano passado, o Brasil bateu o recorde de afastamentos de trabalhadores por burnout, depressão e ansiedade. Isso é resultado da exaustão de trabalhadores”, destacou.

Em 2025, 4,1 milhões de trabalhadores foram afastados temporariamente por motivos de saúde, aumento de 15% em relação a 2024. Os principais motivos foram dor nas costas e lesões dos discos intervertebrais, como hérnias de disco, além de problemas mentais e depressivos.

Boulos lembrou que as experiências de redução de jornada de trabalho levaram ao aumento da produtividade do trabalho, “por razões que deveriam nos parecer óbvias”. “Um trabalhador mais descansado é um trabalhador mais produtivo”, disse.

Votação
O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, defendeu a PEC apresentada pela oposição. A proposta mantém a escala 6×1, não reduz a jornada de trabalho e introduz um contrato por hora trabalhada.

“Nós vamos criar situações que vão levar à informalidade? Nós vamos tirar a liberdade das pessoas de fazerem o que querem fazer? Nós vamos tirar a liberdade de as pessoas se entenderem? E como fica a pequena, a micro, a média empresa e os microempreendedores individuais?”, questionou sem ter qualquer dado que sustente essas afirmações.

Skaf questiona até a democracia para manter a jornada escravocrata e apelou para que a PEC 6×1 seja votada apenas depois da eleição de outubro. Vale lembrar que Paulo Skaf apoiou o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff com o pato da Fiesp.

“Podemos debater, mas não em vésperas de eleição, não com motivação eleitoral, não tirando a liberdade dos senadores ou dos deputados de votarem dentro das suas consciências, dentro daquilo que veem como o melhor para o Brasil”, argumentou.

O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, afirmou que a PEC aumenta os custos dos transportes e pediu uma transição mais longa para redução das jornadas.

“Outra alternativa para absorvermos isso é fazer uma transição com mais tempo, com mais prazo para poder se fazer. Se colocarmos 1 hora por ano, é muito provável que os empresários conseguirão absorver com mais facilidade o aumento de custos”, defendeu.

A PEC aprovada na Câmara prevê 60 dias para acabar com a escala 6×1 e 14 meses para se chegar às 40 horas semanais.

Tempo para viver
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, lembrou que uma das primeiras greves do Brasil, em 1917, já pedia a jornada de trabalho de 40 horas.

“Todos nós temos o direito de viver. Nós gostamos de trabalhar, sou apaixonado pelo trabalho, mas acho que nós merecemos também viver, estar com a família”, disse Patah.

A liderança sindical chamou a atenção para o tempo que o trabalhador passa dentro do transporte para ir e voltar do serviço.

“Nós não podemos ter um país onde poucas pessoas têm privilégios extraordinários e milhões de pessoas estão exauridas”, alertou.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, defendeu que os ganhos dos últimos 40 anos na economia brasileira sejam repartidos com os trabalhadores.

“Muito dinheiro na mão de poucos é miséria e desigualdade. Pouco dinheiro na mão de muitos é desenvolvimento, é consumo, é uma economia mais dinâmica, são trabalhadores gerando negócios e oportunidades para que inclusive o capital possa se fortalecer”, argumentou.

O ministro citou o projeto de lei enviado pelo Executivo à Câmara, com aumento do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e a autorização para contratar dois trabalhadores, considerando como uma medida para aliviar os pequenos negócios em meio a redução da jornada de trabalho. (Com informações da Ag. Brasil)

Carta Campinas

Recent Posts

Conservatório Carlos Gomes recebe o violeiro Ivan Vilela no show ‘Pra Matar a Saudade’

(foto bruno de souza - divulgação) O Conservatório Carlos Gomes, em Campinas, recebe nesta quarta-feira,…

12 hours ago

Carta na Breja conversa com a candidata a deputada estadual Jaque Medeiros

https://www.youtube.com/live/DnXteaH5wmM?si=2j_uVU4CGtjJsqvD (transmissão pelo youtube) O Carta na Breja 17,2%, que será apresentado ao vivo nesta…

12 hours ago

Nova delação de Vorcaro precisa explicar repasse de dinheiro para Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira

(imagem reprodução video) Os novos advogados de Daniel Vorcaro querem uma nova tentativa de delação…

12 hours ago

16ª Mostra Curta Campinas divulga programação com exibição de filmes, videomaping e DJ Set

(foto gui galembeck - divulgação) A programação da 16ª Mostra Curta Campinas será apresentada oficialmente…

15 hours ago

Rumbo Tumba, do argentino Facundo Salgado, leva o folclore sul-americano ao futuro

(foto divulgação) O músico argentino Facundo Salgado apresenta o projeto de música eletroacústica Rumbo Tumba…

17 hours ago

Banda campineira Lamúria Rataria lança EP ‘Subúrbia’ e faz show de estreia em Campinas

(foto sergio rosa - divulgação) A banda campineira Lamúria Rataria lança na terça-feira, 25 de…

19 hours ago