Categories: Economia Política

Governo Lula alcança a menor taxa de mortalidade infantil da história do Brasil

(foto fabio rodrigues pozzebom – ag brasil)

O relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado nesta terça-feira (17) pelas Nações Unidas, aponta que o Brasil alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças abaixo dos cinco anos da história. A ONU usa o ano de 1990, que segundo a imprensa seria a menor taxa dos últimos 34 anos, mas a informação é equivocada porque antes de 1990 a taxa de mortalidade no Brasil era muito maior.

Para se ter uma ideia, a taxa de mortalidade infantil no Brasil em 1980 era de escandalosos 69 a 82,8 óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos. Este período, caracterizado pelo fim da desastrosa Ditadura Militar, foi caracterizado por altas taxas de mortalidade infantil devido a doenças infecciosas, desnutrição e falta de assistência médica adequada.

O ONU utiliza 1990 como ano base para dados de mortalidade infantil por ser o marco inicial oficial das metas globais de sobrevivência infantil, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e posteriormente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), permitindo a comparação consistente do progresso ao longo de três décadas e meia.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um conjunto de políticas adotadas pelo país têm diminuído as mortes preveníveis de crianças, em consonância com a tendência global.

Em 1990, a cada mil crianças nascidas, 25 morriam ainda recém-nascidas, antes de completar 28 dias de vida. Em 2024, o número caiu para sete a cada mil.

O mesmo aconteceu com a probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade. No Brasil, em 1990, a cada mil crianças que nasciam, 63 faleciam antes do quinto aniversário. Nos anos 2000, a taxa caiu para 34 a cada mil e, em 2024, chegou a 14,2 mortes.

Entre as políticas públicas citadas para este resultado, está o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a expansão da rede pública de saúde. Juntas, essas iniciativas que ajudaram a promover a saúde de mães, bebês e crianças desde os anos 1990 e foram operacionalizadas com o apoio da sociedade brasileira e de organizações internacionais, como o próprio Unicef.

“Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam, e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta”, explica Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil.

“E essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação. Agora, precisamos voltar a acelerar esses esforços, mantendo e ampliando os avanços históricos das últimas décadas e alcançando aqueles nos quais essas políticas ainda não chegam como deveriam”, enfatiza.

Apesar dos avanços, o Brasil também viu uma desaceleração na queda da mortalidade de crianças na última década, em linha com a tendência global.

Entre 2000 e 2009, por exemplo, o país diminuía a mortalidade de recém-nascidos em 4,9%, todos os anos. Já entre 2010 e 2024, a redução passou a ser de 3,16% ao ano.

O levantamento mostra que as mortes de crianças menores de cinco anos no mundo caíram em mais da metade, globalmente, desde 2000, mas desde 2015, há pouco mais de uma década, o ritmo de redução da mortalidade infantil desacelerou mais de 60%.

Adolescentes e jovens
O relatório da ONU sobre mortalidade também revela que aproximadamente 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre cinco e 24 anos morreram em 2024 no planeta.

No Brasil, no mesmo ano, a violência foi responsável por quase metade (49%) das mortes de meninos de 15 a 19 anos, com doenças não transmissíveis ocupando o segundo lugar (18%). Acidentes de trânsito foram a terceira causa mais comum (14% das mortes).

Entre meninas na mesma faixa etária, doenças não transmissíveis foram a principal causa de morte (37%), seguidas por doenças transmissíveis (17%), pela violência (12%) e pelo suicídio (10%).

Recomendações
Citando apontamentos do relatório, o Unicef reforça que as evidências mostram que investimentos em saúde infantil estão entre as medidas de desenvolvimento com melhor custo efetivo.

Intervenções comprovadas e de baixo custo, como vacinas, tratamento da desnutrição e profissionais de saúde qualificados na gestação, parto e pós-parto, dão alguns dos maiores retornos em saúde global, aumentando a produtividade, fortalecendo economias e reduzindo gastos públicos futuros.

Cada US$ 1 investido na sobrevivência infantil pode gerar até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos, aponta a entidade.

O relatório global foi feito pelo Grupo Interagencial das Organizações Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), em parceria com Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (ONU) e Departamento Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU). (Com informações da Agência Brasil)

Carta Campinas

Recent Posts

Comédia iraniana premiada em Veneza traz duas histórias de amor em paralelo

A última exibição de 2026 da Sessão de Cinema Reserva Imovision na ADunicamp acontece no…

13 hours ago

Derrota de Trump abre caminho para extradição de bolsonaristas que fugiram da Justiça

(imagem divulgação) O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados…

14 hours ago

Fotógrafo Sérgio Poroger lança livro que percorre cinemas de rua ao redor do mundo

Fotos de Sérgio Poroger no livro "Entresalas" (divulgação) A Galeria Foto Ponto recebe o jornalista…

15 hours ago

Guitarra elétrica e orquestra dividem o palco no Encontro de Música Contemporânea da OSU

(foto marilia vasconcellos - divulgação) A guitarra elétrica em diálogo com a orquestra, a música…

15 hours ago

Espetáculo da Mostra Geral de Teatro transporta o mito de Édipo para os tempos atuais

(foto edgar machado - divulgação) O Teatro de Arte e Ofício recebe nesta quinta-feira, 5…

15 hours ago

Paulo Betti retorna aos palcos de Campinas com sua ‘Autobiografia Autorizada’

(foto mauro khouri - divulgação) As lembranças de uma infância no interior paulista, as histórias…

1 day ago