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Como combater o paradoxo da extrema direita de acusar adversários pelo seus próprios crimes?

(imagem reprodução rede social – ricardo stuckert -pr)

Uma das coisas mais importantes para os democratas e a esquerda nas próximas eleições é tentar desmontar o paradoxo criado pela extrema direita. E é uma tarefa árdua porque a estratégia da extrema direita contraria, na recepção dos eleitores, os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano e desafia a opinião racional ao nivelar tudo e todos em um mesmo balaio de gatos.

O paradoxo da extrema direita está calcado na mentira e todo tipo de mentira pura e simples, já explicado em texto sobre agnotologia. Com isso, ele serve para confundir a população, anular a racionalidade e a diferença entres os grupos políticos, de forma que o eleitor seja incapaz de distinguir entre o corrupto e o não corrupto, entre o autocrata e o democrata, entre o que governa para os super-ricos e o que governa para a classe média e para os pobres. Ainda que todos tenham problemas e erros.

A tática da extrema direita fascista é simples e muito conhecida, mas difícil de combater porque imputa ao adversário o seus próprios crimes. E estabelece uma relação de igualdade entre a mentira e a verdade. Por exemplo, acusam Lula de retirar direitos, quando é a extrema direita que defende a retirada de direitos trabalhistas. Recentemente quando o governo Lula tentou proteger os entregadores de aplicativos com algumas garantias mínimas, a extrema direita divulgou que o governo queria retirar direitos. Assim criam a balbúrdia da informação que beneficia o fascismo.

Quando começou a se divulgar a relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com a milicia, que tinha homenageado um assassino na Assembleia Legislativa do Rio, além de empregar a mãe e a esposa do miliciano no gabinete, divulgaram falsas acusações contra Lula e o PT de ligação com traficantes. A ideia é confundir a população de forma que não seja capaz de distinguir qual grupo estava ligado a traficantes e milicianos. Assim, a realidade é anulada pelo nivelamento de uma falsa polarização. Dizer que o adversário tem ligação com o crime organizado vira uma estratégia política, não uma informação real, verdadeira.

Quando houve a tentativa da Lava Jato de imputar crimes que não existiam contra Lula, com o apoio incondicional e acrítico da Globo e outras mídias corporativas, Flávio Bolsonaro e seu fiel escudeiro Fabrício Queiroz estavam atolados com as investigações repletas de provas robustas e incontestáveis do Ministério Público do Rio de Janeiro. Ao acusar falsamente Lula de Ladrão serve para anular as rachadinhas de Flávio Bolsonaro. Então todos seriam ladrões para a população. Assim, a extrema direita ganha votos quando o eleitor pena em votar no seu ladrão preferido.

Quando descobriram que os assassinos da vereadora do Rio, Marielle Franco, passaram no condomínio da casa de Bolsonaro e os integrantes eram conhecidos da família, tentaram acusar de forma falsa e irresponsável o PT de ligações com grupos criminosos.

Enquanto a família Bolsonaro defendia torturadores e ditadores, seja do Brasil, do Chile e de outros países, de forma escancarada e explícita, acusavam Lula de ligação com a “ditadura” de Cuba, porque empresas brasileiras estavam lucrando e gerando empregos no países caribenho. Lula favoreceu os empresários brasileiros com investimentos no exterior e foi acusado de forma medíocre de ligação com o regime cubano.

Esse é a tática da extrema direita brasileira, que está organizada em uma estrutura de projetos autoritários em todo o mundo.

A mentira se transforma num instrumento de desinformação poderoso. A ideia da extrema direita é criar um paradoxo de acusar o adversários de seus próprios crimes de forma que a população, de baixo entendimento político, possa ser enganada e ter seu ódio extraído contra os democratas.

Carta Campinas

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