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Quase metade dos aprovados no Vestibular 2026 da Unicamp veio do ensino público

(foto antonio scarpinetti – unicamp)

O número de estudantes que cursaram o ensino médio na rede pública e foram aprovados na universidade Estadual de Campinas (Unicamp) este ano representa quase a metade dos candidatos que passaram no vestibular. Foram 1.781 alunos de um total de 3.600 na primeira chamada nas diferentes modalidades de ingresso nos cursos de graduação. O resultado representa um aumento de 46% em 2025 para 49,5% neste ano.

O percentual de estudantes pretos, pardos e indígenas aprovados subiu, passando de 35,4% em 2025 para 35,7% (1.285 estudantes) em 2026, e o número de mulheres convocadas, que ficou em 45,7% (1.645), também teve ligeira elevação em relação ao índice de 46% do ano anterior.

Pela primeira vez, a Unicamp adotou as cotas para pessoas trans. A reserva de vagas valeu para a modalidade Enem-Unicamp, tanto para estudantes de escolas particulares como públicas. Na primeira chamada, 61 pessoas foram convocadas para diferentes cursos.

As estatísticas foram divulgados pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) no início deste mês e consideram as seguintes formas de seleção: Vestibular Unicamp, Enem-Unicamp, ProFis, Vestibular Indígena e Vagas Olímpicas.

De acordo com a Comvest, o índice de candidatos isentos de pagar a taxa de inscrição, com um perfil de maior vulnerabilidade socioeconômica, ficou praticamente igual ao ano anterior, com 12% do total dos aprovados (442), diante de 12,5% em 2025. A isenção da taxa é concedida para o Vestibular Unicamp e Enem-Unicamp. Nas modalidades Vagas Olímpicas, Vestibular Indígena e ProFis, as inscrições são gratuitas.

O levantamento aponta ainda que os aprovados vindos de outros estados do Brasil representam 14,7% (529 estudantes) – em 2025, o índice foi de 16%. Em relação à renda dos, 37,7% (1.358 estudantes) candidatos que obtiveram uma vaga na Unicamp este ano têm renda mensal familiar de até cinco salários mínimos, diante de 39,6% no ano anterior.

“Pelo vestibular, que é a principal forma de ingresso na Unicamp, nota-se que há o acesso de todos os públicos, sejam oriundos de escolas públicas ou privadas. O desenho para o qual o ingresso tem apontado é a convivência dos estudantes de vários perfis no interior da Unicamp”, afirmou o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto. “Não há possibilidade de sairmos de uma sociedade altamente polarizada, como a atual, se não for pelo respeito e pelo diálogo entre os diferentes. Nesse sentido, a Unicamp permite, por meio dos seus sistemas de acesso, que tenhamos uma universidade mais diversa e mais complexa e por isso mais enriquecedora para a produção de novos conhecimentos”, disse.

O estudante Wesley Cassimiro, de 20 anos, foi aprovado para o curso de Medicina da Unicamp. Ele mora no distrito de São Mateus, zona leste de São Paulo. “Passar em Medicina em uma das melhores universidades da América Latina já é uma conquista grandiosa. Ser um homem negro, vindo de um lugar periférico e sempre dependente do esforço pessoal para atingir objetivos maiores na vida é uma coisa muito difícil e conquistar essa vaga na Unicamp me torna um ilustre exemplo de que a educação sempre vence”, afirmou.

A estudante Larissa Araújo Silva, aprovada no curso de Odontologia da Faculdade de Odontologia da Unicamp, em Piracicaba (FOP), optou pela cota para estudantes pretos e pardos no vestibular. Larissa participou do projeto Cria Unicamp, organizado pela Comvest para interagir com estudantes de ensino médio e contribuir para sua preparação. (Com informações de Juliana Sangion/Comunicação Comvest/Jornal da Unicamp)

Carta Campinas

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