‘Volúpia (II)’: Cháos Coletivo une tragédia grega e América Latina para questionar o patriarcado

O elenco durante ensaio do espetáculo (foto reprodução – instagram)

O grupo Cháos Coletivo Teatral estreia o espetáculo “Volúpia (II)” com duas apresentações no Teatro Barracão, em Barão Geraldo, Campinas. As sessões serão neste sábado e domingo (24 e 25/1), às 20h, e têm entrada com contribuição voluntária.

“Volúpia (II)” fala do desejo e da violência, colocando em cena o erotismo ritual e o humor trágico em uma combinação da linguagem da tragédia grega e da corporalidades latino-americanas contemporâneas. Costurada por música ao vivo, a montagem questiona a máquina bélica que historicamente consome mulheres e meninas.

Num palco tecido por fios de destino, três Moiras atravessam eras e territórios para recontar o mito de Helena de Troia. No entrelaçar de corpos, músicas e histórias, as próprias Moiras se desdobram em Leda, Afrodite, Clitemnestra, Hécuba, Ifigênia e tantas outras figuras míticas.

Segundo o coletivo, formado pelos artistas Allura Haillan, Ayanna Xavier, DJ Kaim, Lia Helena e Wasabi, “embora denuncie o patriarcado, Volúpia (II) não constrói uma polarização simplista. Não é homem contra mulher, nem Grécia/Europa contra Brasil”. Assim, o espetáculo propõe questionamentos: “É possível vida após a guerra? É possível imaginar futuros festivos em meio à destruição? O que resta de uma deusa depois de um monoteísmo patriarcal? E, ainda mais, cabem todas essas histórias no nosso Brasil?”.

Estudo, gênero e territorialidades

“Volúpia (II)” é fruto da pesquisa de mestrado de Lia Helena na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na qual investiga se corpos trans cabem nos mitos hegemônicos da história. Ela questiona neste estudo como uma dramaturga-atriz travesti pode tecer outras poéticas para além do gênero.

O elenco é formado por três artistas que se conheceram na cena Ballroom do interior de São Paulo: Allura Haillan, Ayanna Xavier e a própria Lia Helena. A Ballroom foi criada nos guetos de Nova York por pessoas LGBTQIAPN+ pretas como forma de celebrar seus corpos, que eram marginalizados e negligenciados em espaços de arte e cultura hegemônicos. Campinas foi uma das cidades pioneiras da Ballroom no Brasil.

A direção é assinada pela artista Ana Carolina Salomão, que pesquisou em seu mestrado como uma atriz contemporânea pode lidar com a figura trágica, com a densidade e a exigência dos textos antigos, criando um corpo capaz de carregar mitos sem apagar as tecnologias vivas que habitam os corpos brasileiros. (Com informações de divulgação)

Serviço

Data: 24 e 25 de janeiro de 2026 (sábado e domingo)
Horário: 20h
Local: Teatro Barracão
Endereço: Rua Eduardo Modesto, 128, Vila Santa Isabel, Barão Geraldo Campinas-SP
Ingressos: Ingresso com contribuição voluntária no chapéu, chapix
Acessibilidade: Libras

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