Milhares de pesquisadores brasileiros altamente qualificados estão sem recursos

Ministra Luciana Santos (foto valter campanato – ag brasil)

Enquanto o Centrão e os deputados de extrema direita pegam R$ 40 bilhões do orçamento brasileiro para shows sertanejos milionários, inclusive com a inconstitucional ‘emenda impositiva‘, pesquisadores brasileiros altamente qualificados, com pesquisa no exterior, mestrados e doutorados concluídos e até pós-doutorado concluído, estão à míngua e sem recursos.

O resultado divulgado neste mês de outubro dos pedidos de bolsa 2026 pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico) para a categoria Pós-Doutorado Júnior (PJD), que contempla jovens pesquisadores altamente qualificados, concedeu apenas 667 pedidos de recursos para pesquisa de todo o Brasil e deixou sem recursos quase 8 mil pesquisadores com formação consistente e, pior, com pareceres recomendando a concessão do recurso.

Além da alta formação, são pesquisadores normalmente com menos de 40 anos, e cérebros importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Todos esses pesquisadores são vinculados a institutos de pesquisa, mas estão sem recursos. Isso faz com que muitos abandonem a pesquisa para se sustentar e, muitas vezes, mudem para empregos menos qualificados.

Passada a destruição científica e educacional, provocada pelo governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PL), a situação ainda é complicada para os pesquisadores. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (PCdoB) e o governo Lula (PT) poderiam ter evitado essa situação com um pequeno remanejamento de recursos, mas mesmo para um governo atento para à Ciência faltou sensibilidade para esses pesquisadores.

O resultado da chamada de Bolsas, que contemplou apenas 907 pesquisadores em seis diferentes modalidades em todo o Brasil, recebeu míseros investimentos de R$ 125 milhões, sem nenhum acréscimo ao valor da edição anterior. Eles representam 10,58% da demanda recebida nesta edição da chamada, que foi de 8.573 candidaturas. Ou seja, 90% dos pesquisadores altamente qualificados do país ficaram ser recursos.

Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em agosto deste ano o Projeto de Lei (PL) 847/2025, que possibilitou a destinação de R$ 22 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar pesquisa e inovação principalmente de empresas. Com apenas 5% do valor do FNDCT, seria possível manter uma massa de pesquisadores altamente qualificados com recursos.

O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais. Mas os jovens pesquisadores parecem ser o elo fraco dessa distribuição.

“Brasil tem que pensar o que fazer com os 90% dos doutores que formamos e estão desempregados ou até sem bolsa. Os concursos não absorvem nem 5% dos formados. E o nosso futuro como nação? Desperdiçamos 90% de nossos talentos. Orçamentos de CAPES, CNPq, FAPs e Universidades irrisórios”, comentou o pesquisador Paulo Artaxo, que é coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP e professor de Física Atmosférica, Universidade de São Paulo.

A idade dos pesquisadores mostra o potencial que o Brasil desperdiça. 65,6% das bolsas atribuídas a cientistas com menos de 40 anos. A faixa etária mais contemplada foi entre 30 e 34 anos, com 34,1% do total. 20,9% foram para pesquisadores com entre 35 e 39 anos; 10,47% para cientistas com idade entre 25 e 29 anos.

Glauco Cortez

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