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Governadores de extrema direita criam Consórcio da Morte, mas dão nome de Consórcio da Paz

(fotos secom gov-sc e eusébio gomes tv brasil)

Sete governadores de extrema direita do Brasil fizeram uma reunião no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense para apoiar a matança como política de Estado, promovida pelo governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, que matou 4 policiais e mais de 120 pessoas, além de muitos feridos no último dia 28.

A reunião ocorre depois da operação no Rio de Janeiro que deixou até o momento pelo menos 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha. Os sete governadores mostraram apoio às ações mortíferas e anunciaram a criação do ‘Consórcio da Morte’, um projeto de integração para trocar informações de inteligência, prestar apoio financeiro e de contingente policial no combate ao crime organizado e defender execuções como a que ocorreu no Rio.

Para o ‘Consórcio da Morte’, formado pelos sete governadores de extrema direita, foi dado o nome de “Consórcio da Paz”, possivelmente uma referência irônica a paz do cemitério.

Além do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, participaram Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (Progressistas), do Mato Grosso do Sul; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou remotamente, por chamada de vídeo.

Pelo grande matança que promoveu, o governo do Rio de Janeiro será a sede inicial do consórcio e vai organizar o processo de formalização do grupo. De acordo com Castro, a ideia é compartilhar estratégias de combate ao crime. “Faremos um consórcio entre estados no modelo de outros consórcios que existem para que nós possamos dividir as experiências, soluções e ações do combate ao crime organizado”, disse Castro.

Todos os governadores do ‘Consórcio da Morte’ presentes elogiaram os resultados da ação policial nos complexos da Penha e do Alemão. Para o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a operação deve ser “considerada a mais bem-sucedida”. “As forças de segurança do Rio de Janeiro fizeram, no meu entender, uma operação que vai fazer parte da segurança pública no Brasil”, disse.

A operação resultou na morte de 121 pessoas, sendo quatro policiais militares, apreensão de 93 fuzis e provocou caos na cidade, com interdição de vias. O objetivo principal anunciado previamente era a captura de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, tido como principal chefe da facção criminosa Comando Vermelho, mas a operação falhou no principal objetivo e o Doca escapou.

No sentido contrário, especialistas em segurança pública têm destacado que o crime organizado envolve redes econômicas e sociais complexas, e que operações policiais isoladas não conseguem atacar suas raízes. Ou seja, ação que gerou matança do governo do Rio foi ineficaz.

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais criticam a letalidade policial e o desrespeito aos moradores da comunidade. Além disso, testemunhas denunciaram execuções e torturas por parte dos policiais, enquanto moradores classificaram a ação como carnificina.

Durante o encontro totalmente criado para politizar a violência do Estado, os governadores falaram que o objetivo do ‘Consórcio da Morte’ é oferecer ações práticas, sem “politização” da segurança pública.

No entanto, fizeram críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, texto enviado pelo governo federal ao Congresso em abril de 2025. Um dos objetivos anunciados é dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), e integração entre forças de segurança em todo o país. (Com informações da Agência Brasil)

Carta Campinas

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