Bienal ocupa praças centrais de Campinas com danças e performances

Intervenção artística “Minas de Ouro” (foto divulgação)

A Bienal Sesc de Dança vai ocupar praças de Campinas a partir desta sexta-feira, 26 de setembro, com seis espetáculos e performances abertos ao público na região central da cidade (confira a programação abaixo). A Bienal começa nesta quinta-feira (25), com o Balé Folclórico da Bahia, no Sesc, e segue até 5 de outubro em diversos espaços.

O primeiro a ir para as ruas será “Dandyism (Dandismo)”, uma versão brasileira do espetáculo de Zia Patrick, em parceria com Ricardo Januário, elaborada com participantes de uma residência artística promovida pela Bienal. A apresentação será na Praça Bento Quirino.

A performance une dança, teatro e música, e foi inspirada nos sapeurs, dândis africanos da República do Congo que fundaram a Sociedade dos Ambientadores e das Pessoas Elegantes (Sape) na favela de Bacongo nos anos 1960. Com suas roupas coloridas e cheias de estilo, eles usavam a moda como símbolo de resistência cultural na época do ditador Mobutu Sese Seko, quando o país ainda era Zaire.

A mesma praça receberá “Minas de Ouro – Experiência nº 2 – Performance Monumento”, da coreógrafa e diretora Carmen Luz. A intervenção reúne artistas cariocas, local onde nasceu o espetáculo, e da região de Campinas – participantes também de uma residência artística. Usando símbolos do comércio de ouro nas cidades, faz uma reflexão crítica sobre o estigma em torno das mulheres sambistas.

Na Praça Rui Barbosa, a artista indígena Uýra apresentará “Ponto Final, Ponto Seguido”, em que propõe um “rito de cura e rememoração”. Espalhando pelo chão uma grande cadeia de raízes criadas com terra preta, como uma “árvore que anda”, ela busca despertar o público por meio da dança para o que está oculto sob os monumentos, o asfalto e o concreto que revestem as cidades: a água, as terras, as florestas e também as memórias.

A cura também permeia o trabalho “Couraça”, do Núcleo Atmosfera, outro espetáculo programado para a Rui Barbosa. Criada durante a pandemia da Covid-19, a performance de Leônidas Portella leva o Bumba Meu Boi do Maranhão para a paisagem urbana, acompanhado por músicos que entoam cantos populares, em uma reflexão sobre os ciclos da vida e da morte.

Foi ainda no interior do Maranhão, e em suas memórias familiares, que o diretor Kelson Barros buscou inspiração para a montagem “Le Bizu”, que leva o nome da boate inaugurada em 1974 na cidade de Poção de Pedras por seus avós.

O espetáculo transforma a Praça Carlos Gomes em uma pista de dança, com músicos tocando ao vivo conhecidas canções dos anos 1970 e 1980, enquanto os bailarinos se alternam em solos, duos e corais, com movimentos da dança contemporânea, do balé clássico e dos bailes populares

Fechando o ciclo de apresentações da Bienal nas praças do Centro de Campinas, o coletivo Afrobunker mergulha na investigação sobre os corpos negros em “Descaminhos”, no Largo das Andorinhas. Na coreografia, os dançarinos se conectam, se cruzam e se acolhem como forma de trazer à tona cultura, saberes e modos de viver apagados historicamente. (Com informações de divulgação)

PROGRAMAÇÃO NAS PRAÇAS

| PRAÇA BENTO QUIRINO

26 e 27 de setembro (sexta e sábado) | 16h30
“Dandyism (Dandismo)”
Ziza Patrick e Ricardo Januário – Ruanda, Inglaterra e Brasil

29 e 30 de setembro (segunda e terça) | 11h
“Minas de Ouro – Experiência nº 2 – Performance Monumento”
Carmen Luz – RJ

| PRAÇA RUI BARBOSA

30 de setembro e 1º de outubro (terça e quarta) | 16h
“Ponto Final, Ponto Seguido”
Uýra – AM e PA

2 e 3 de outubro (quinta e sexta) | 16h
“Couraça”
Núcleo Atmosfera – MA

| PRAÇA CARLOS GOMES

4 de outubro (sábado) | 11h
“Le Bizu”
Clarin Cia. de Dança – SP

| LARGO DAS ANDORINHAS

2 de outubro (quinta) | 17h
“Descaminhos”

Afrobunker – RJ e BA

Confira a programação completa da 14ª Bienal Sesc de Dança em https://www.sescsp.org.br/bienal-sesc-de-danca-2025/.

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