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Documentário de Campinas estreia no Festival de Gramado e dá visibilidade ao povo Kariri-Xocó

(foto hidalgo romero – divulgação)

O filme “Até Onde a Vista Alcança”, uma produção do Laboratório Cisco, de Campinas, terá sua estreia no 53º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais tradicionais e prestigiados eventos do cinema brasileiro e latino-americano.

Dirigido pelo documentarista Hidalgo Romero e pela antropóloga Alice Villela, com a participação da liderança indígena Pawanã Kariri-Xocó, o longa mergulha na complexa disputa pela terra a partir da perspectiva do povo Kariri-Xocó, do Nordeste do Brasil.

Narrando a trajetória de três gerações Kariri-Xocó, o documentário acompanha uma expedição de reconhecimento de seu território ancestral, usurpado ao longo de séculos de colonização. Munidos de câmeras, drones, cachimbo, cocares e maracas, a jornada é também um rito de retomada cultural, política e espiritual.

Os cantos tradicionais do povo Kariri-Xocó — presentes nos rituais, no trabalho e na vida cotidiana — atravessam o filme. A presença no Festival de Gramado, realizado de 13 a 23 de agosto, não apenas destaca a produção audiovisual do interior paulista, especialmente de Campinas, como também amplifica as vozes de comunidades indígenas nordestinas, muitas vezes invisibilizadas nos circuitos culturais e políticos.

Sessões em aldeias

Após a estreia, os diretores pretendem realizar uma campanha de distribuição com impacto social, promovendo o reconhecimento das comunidades indígenas do Nordeste e reforçando sua contribuição para a preservação da Caatinga, único bioma 100% brasileiro.

Entre as ações previstas, estão exibições em aldeias da região e o estímulo ao debate sobre a restauração ambiental dos territórios demarcados — tema diretamente relacionado à pauta da demarcação de terras indígenas, que enfrenta ameaças com a chamada tese do Marco Temporal. A equipe defende a demarcação como um direito originário e ferramenta essencial de proteção ambiental.

A campanha também incluirá o fortalecimento da Escola de Língua Swbatkerá, criada em 2018, dedicada à revitalização da língua Dzubukuá, por muito tempo considerada extinta.

Os diretores

Hidalgo Romero integra o Laboratório Cisco desde 2006, atuando como produtor, diretor e roteirista com foco em meio ambiente, direitos humanos, música tradicional e movimentos sociais.

Alice Villela é antropóloga visual, doutora em Antropologia Social e mestre em Artes. Dirige e pesquisa filmes realizados em diálogo com povos indígenas.

A dupla estreou com o premiado “Acontecências” (2009), sobre os Asuriní do Xingu, selecionado para festivais como o IDFA, É Tudo Verdade e a Jornada da Bahia. Também assinam o média metragem “A Briga do Cachorro com a Onça” (2013) e os curtas “Toré” e “Na Volta do Mundo” (ambos de 2022). (Com informações de divulgação)

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