Precisamos de mais ONG’s?

(foto rdne stock project – pxl)

.Por Roberto Ravagnani.

As organizações sociais nascem do trabalho voluntário, o tempo mostrou a importância delas para a sociedade, mas está na hora de pararmos que incentivar a criação de ONG’s no país, visto que já existem 815.000 registrada.

Em contas bem simples, seriam 30.185 por estado, 146 ONG’s por município, obvio que sei que isto não é real. A região Sudeste abriga 41,5% das organizações, seguida pelo Nordeste (24,7%), pelo Sul (18,4%), pelo Centro-Oeste (8,2%) e pelo Norte (7,2%). Entre as capitais, Boa Vista é a que registra o menor número de ONG’s: 1.413. Todos os 5.565 municípios brasileiros têm ONG’s. Em quantidade, os dois extremos aparecem em São Paulo, com a capital registando mais de 50 mil ONG’s e o município de Taquaral com apenas 3 ONG’s.

Com esta pequena porção de dados, extraídos do mapa das OSC’s do IPEA, até pode parecer um pedido diferente, por eu estar dentro do terceiro setor e por acabar de dizer que tem uma importância relevante para a sociedade.

A importância é inegável e o meu apreço pelo Terceiro Setor também, mas precisamos parar de de glamorizar a abertura de ONG’s, sempre que alguém tem uma “dor” imediatamente pensa em abrir uma, mas não pensa em como manter, como dar qualidade aos seus trabalhos, para tudo isso ainda é necessário recursos, físicos e financeiros.

O voluntariado tem que sair da caixa do, vamos abrir uma ONG e abrir os olhos para todas que já existem e ver como podem fazer para torná-las melhor do que já são, fazer mais do que já fazem, aderir aos trabalhos, incorporar novas ideias. Sua ideia pode ser brilhante, todos temos os momentos de “eureka”, mas que tal trazer isso para dentro de uma ONG que já faz algo semelhante, na mesma causa e fazer com que ela cresça?

Momentos individualista não fazem com que o terceiro setor cresça, faz com que ele se fragmente e a fragmentação o trona mais frágil. Já falei aqui da força do terceiro setor, o impacto que tem no PIB nacional, na geração de empregos, na resolução de “dores” de comunidades inteiras, mas não podemos nos fragilizar com a fragmentação.

Quanto mais juntos estivermos, menos nossos egos estarem a frente de nossas ideias, seremos melhores em fazer o que é a origem do terceiro setor, tornar a sociedade melhor para todos.

Não estamos nele por uma parcela da sociedade, estamos nele por todos nós, queremos liberdade, trabalho, educação, respeito, solidariedade, entre muitos outros desejos, mas só seremos vitoriosos se efetivamente estivermos juntos, em pensamento e ação.

Com isso não menosprezo nenhuma “dor” e muito menos qualquer ONG do país, mas trago a reflexão, do quanto seriamos mais fortes se estivéssemos mais juntos, menos fragmentado.

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