A vocação golpista do bolsonarismo e os desafios do novo governo

.Por Paulo Bufalo.

A apuração mal havia encerrado, com a vitória de Lula, e manifestações golpistas fortemente financiadas por empresários bolsonaristas fecharam algumas das principais rodovias do país e levaram acampamentos para portas de quartéis. Enquanto Bolsonaro levou dois dias para se pronunciar reconhecendo o resultado, os golpistas exigiam intervenção militar e todo tipo de afronta à democracia. Mesmo causando prejuízos sociais e econômicos para a população, essas manifestações contaram com a parcimônia da Polícia Rodoviária Federal.

Protestos golpistas (foto de vídeo)

Esses setores da extrema direita repetiram as mesmas palavras de ordem usadas por Bolsonaro em seu governo e durante a campanha, e que remetem aos movimentos nazifascistas ao longo da história. “Deus, Pátria, Família e Liberdade”.

Em que pese as cenas patéticas e risíveis patrocinadas por pessoas utilizando as cores da bandeira do Brasil, esse processo é um preocupante sinal de como a desinformação e anos de política de ódio inculcados levam ao comportamento idiotizado, que acredita em qualquer barbaridade espalhada pelos aplicativos de mensagens, e que se dispõe a qualquer coisa em nome dessa realidade paralela.

Diante desse cenário, a vitória eleitoral de Lula no plano federal representou uma vitória da democracia, da liberdade e da possibilidade de apontar novos rumos para o país. Também é importante destacar o quanto foi acertada a política de unidade do campo progressista em torno da candidatura de Lula. Ela foi muito importante para garantir a vitória eleitoral no plano federal e será fundamental para dar suporte a um governo que tem como desafio reconstruir o Brasil depois de quatro anos da tragédia bolsonarista.

Os desafios serão enormes e exigirão dos movimentos sociais e setores progressistas um permanente estado de mobilização para combater as iniciativas golpistas e sabotadoras da extrema direita e de setores do Capital e para assegurar políticas importantes defendidas por Lula durante a campanha.

Entre as maiores urgências estão o combate à fome, que atinge mais de 30 milhões de brasileiros; a garantia de renda básica e auxílios emergenciais às famílias em vulnerabilidade; aumento real do salário mínimo como política de distribuição de renda; imediato combate a toda atividade de desmatamento e destruição de nossas florestas; garantia do financiamento das Políticas de Direitos Humanos e enfrentamento a toda forma de preconceito e discriminação; revogação imediata de decretos sobre temas ambientais, de armamento e  do sigilo de 100 anos, junto com a apuração de responsabilidades por crimes contra a humanidade e o Estado brasileiro.

Estas iniciativas serão importantes não apenas para o Brasil, mas também para as relações internacionais, dada a importância do nosso país tanto na questão socioeconômica e principalmente em relação às questões climáticas e de preservação ambiental.

Paulo Bufalo – professor na ETEC Bento Quirino e vereador e pelo PSOL em Campinas 

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