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Temos outra pandemia em curso: a de saúde mental

Piora a saúde mental do brasileiro. E a culpa não é da pessoa

.Por Alexandre Padilha.

Vivemos o momento da maior prevalência de transtornos mentais e problemas relacionados à saúde mental da história do Brasil. Se tornou muito comum pessoas, seja no nosso ambiente familiar, amigos ou colegas de trabalho, expressarem estar se sentindo angustiados, ansiosos, depressivos, com dores físicas crônicas ou que apresentam burnout (síndrome de esgotamento profissional).

(imagem ebc – ag brasil)

Consequências da pandemia da Covid -19, do isolamento social, da dor do luto, das sequelas da doença, da crise institucional, política e econômica causadas pelo governo Bolsonaro que aprofundam as desigualdades e fazem com que os brasileiros tenham a sensação constante de “cansado que não passa”.

Neste caos estabelecido, ainda temos o desmonte das estruturas de saúde mental do Ministério da Saúde, como o aniquilamento da Coordenação de Saúde Mental também motivados pelo governo Bolsonaro. Um extremo absurdo, ainda mais em uma época em que os problemas de saúde mental se multiplicam por toda a sociedade, é pior ainda.

Temos 33 milhões de brasileiros passando fome e 125,2 milhões com algum grau de insegurança alimentar – 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar -, de acordo com dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

As mortes por suicidio dobraram em 20 anos no Brasil de acordo com o DataSUS, passando de 7 mil para 14 mil, o que equivale a mais de uma morte por hora, esse crescimento vai na contramão do restante do mundo. A procura por atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também cresceu.

Não superamos a pandemia da Covid-19 e agora temos outra pandemia em curso: a de saúde mental. Os mecanismos de atendimento psicossocial precisam voltar a funcionar em nosso país. Brasileiros e brasileiras estão em sofrimento mental e o acesso a medicação muitas vezes não é suficiente. Precisamos acolher as pessoas e pensar em um futuro onde direitos de todos sejam preservados.

*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política no governo Lula, da Saúde no governo Dilma e Secretário da Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.

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