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Corpo feminino, um âmago de desejos: ‘Por muito tempo acreditei ter sonhado que era livre’ destaca a obra de 24 artistas brasileiras

Em São Paulo – Até o dia 17 de julho de 2022, pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake a exposição Por muito tempo acreditei ter sonhado que era livre, que integra o Programa Arte Atual, iniciativa do Instituto Tomie Ohtake que visa promover projetos experimentais ambiciosos e novos debates sobre arte contemporânea, tendo como principais colaboradores artistas emergentes com crescente participação no Brasil e no exterior. A cada ano, o Arte Atual, com apoio das galerias, convida uma série de artistas a partir de um tema, fato ou recorte escolhido pela equipe curatorial.

Millan, Ana Pigosso (Imagem: Divulgação)

O Programa também tem direcionado esforços para pesquisa e acompanhamento da produção de artistas mulheres, ainda em número consideravelmente inferior em mostras por todo o país. Nesse sentido, a décima edição comemorativa do Arte Atual, Por muito tempo acreditei ter sonhado que era livre, é dedicada a 24 artistas contemporâneas brasileiras emergentes e consagradas.

Com curadoria de Priscyla Gomes, a exposição reúne diferentes gerações que apresentam paisagens, retratos, performances e fotografias que refletem acerca do corpo feminino como território. “Artistas de várias proveniências e gerações visibilizam múltiplas explorações do entendimento do corpo feminino como âmago de desejos, sabedorias e ancestralidades; como metáfora de território e de uma paisagem construída muitas vezes pela ficção; como cerne de questionamento político e alvo de censuras constantes; e, principalmente, como forma de vislumbrar diferentes epistemologias”. 

Segundo a curadora, o título faz referência a um trabalho realizado pela escultora mineira Maria Martins, que marcou a cena internacional nos anos 1940 e 1950 e só obteve reconhecimento tardio pela crítica da arte brasileira.  “A obra em questão, uma escultura em bronze produzida em 1947, foi instalada em um lago e destruída pelas intempéries e pelo descaso. O bronze condensava uma das principais investigações da artista acerca das relações entre a feminilidade, a sexualidade e as especificidades de se viver nos trópicos”.

Gomes ressalta ainda que essa história em torno da escultura de Martins serve como mote à exploração de inúmeras representações e indagações de mulheres artistas brasileiras que, cada uma a seu modo, refletem sobre a condição feminina. “Aqui, a recepção do trabalho de Martins explicita décadas de uma historiografia ainda repleta de hiatos e um longo caminho a ser percorrido na política das artes”, completa a curadora.

Integram a mostra nomes como Claudia Guimarães, Dalila Coelho, Fernanda Galvão, Gokula Stoffel, Heloisa Hariadne, Larissa Souza, Lidia Lisbôa, Lyz Parayzo, Juliana Cerqueira Leite, Mariana Rodrigues, Maya Weishof, Raphaela Melsohn, Rebeca Carapiá, Sandra Cinto, Val Souza, Yacunã Tuxá e Yuli Yamagata, junto a artistas consagradas como Claudia Andujar, Leda Catunda, Lenora de Barros, Rivane Neuenschwander, Rosana Paulino, Sonia Gomes e Tomie Ohtake.

A mostra pode ser vista de terça a domingo, das 11h às 20h. A entrada é gratuita. Mais informações no SITE do Instituto Tomie Ohtake.

(Carta Campinas com informações de divulgação)

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