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Ditadura provocou aborto de jovem com choque elétrico em órgãos genitais, comprovam áudios

Áudios inéditos divulgados pelo historiador Carlos Fico, da UFRJ, através da colunista Miriam Leitão, de O Globo, mostram ministros do Superior Tribunal Militar (STM) descrevendo práticas de tortura durante a ditadura militar.

(foto roberto navarro – alesp)

Uma das descrições revelam que os militares provocaram o aborto de uma jovem após receber choques elétricos na vagina. Em 24 de junho de 1977, o ministro Rodrigo Otávio Jordão Ramos fala no tribunal sobre a tortura de mulheres grávidas. O ministro narra que Nádia Lúcia Nascimento, presa política pertencente ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi forçada a abortar após “choques elétricos no aparelho genital”.

Essas gravações mostram que o STM sabia que pessoas eram torturadas pelo regime, incluindo mulheres grávidas. “Fato mais grave suscita exame, quando alguns réus trazem aos autos acusações referentes a tortura e sevícias das mais requintadas, inclusive provocando que uma das acusadas, Nádia Lúcia do Nascimento, abortasse após sofrer castigos físicos no Codi-DOI”, diz o militar no áudio. As gravações comprovam os depoimentos da própria Nádia.

Em maio de 2013, Nádia Lúcia Nascimento fez um depoimento na Comissão estadual da Verdade Rubens Paiva, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ela narrou que pertencia ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e foi do Rio de Janeiro para São Paulo com o objetivo de escapar das perseguições que aconteciam no seu estado natal. Inseriu-se na vida regular, mas colaborando com o MR-8. Descoberta, foi presa em abril de 1974 e levada para os órgãos de repressão. Na época, já passava pelo sofrimento de ter seu companheiro preso e torturado.

Na prisão também foi vítima de torturas e ameaças de estupro e teve um aborto provocado pelos maus-tratos e a aplicação de injeções pela equipe chefiada pelo capitão Ubirajara. Nádia se emocionou ao recordar esses dias de “inferno” e o esforço para preservar os companheiros que ainda estavam em liberdade. (Com informações da Alesp)

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