A ‘gourmetização’ do Voluntariado

.Por Roberto Ravagnani.

O voluntariado em 2001, foi moda, pois foi o ano Internacional do Voluntariado e assim o tema estava em todos os jornais e televisões, as redes sociais eram ainda pouco conhecidas aqui no Brasil. Chegamos em 2022, pós pandemia onde o voluntariado, mesmo que de uma forma distorcida, mas fundamental para o momento, também ganhou as capas dos periódicos, tvs e desta feita as redes sociais de todos. Explico a distorcida, antes que me critiquem, o voluntariado é a doação de tempo e talento, não incluímos nesta categoria a doação de dinheiro ou de materiais, mas insisto que diante da pandemia que assolava o mundo, não dá para ficar discutindo semântica, temos que resolver o problema.

(foto ilustr. roman-synkevych – upl)

Agora já diminuída a pandemia e assim esperamos que permaneça, voltamos a conversar sobre o assunto. Voluntariado, já sumiu novamente das manchetes e só aparece quando em tragédias, o que nosso país, até pelo seu gigantismo tem sido muito profícuo, voluntários que ajudam a salvar vidas e buscar por alento e aqueles que mesmo ajudando, são expulsos de suas atividades por não terem preenchido corretamente a ficha de inscrição, assim tomam as manchetes.
De outra forma, trabalhos pouco afeitos ao trabalho voluntário passam a levar este nome, como em pousadas e hostels que divulgam vagas de trabalho “voluntário” em portarias, limpeza e cozinha em troca de hospedagem e tempo para turistar, ofertas de voluntariado em jogos de futebol, onde se cobra uma pequena fortuna para sentar nas arquibancadas, entre muitas outras, esquisitices que começam a usar o termo voluntariar, no meu modo de ver, de forma equivocada e acham lindo, dizendo que fazer este ou aquele serviço “voluntario” dá status.
É isso mesmo que querem status. Mas o voluntariado não é isso, voluntariado, está e sempre estará ligado a uma causa social, há uma necessidade real de uma comunidade ou grupo de pessoas, estará sempre ligado a não recebimento de vantagens por fazer aquela atividade, bem como nenhuma troca deve ser feita para exercer o voluntariado de forma saudável e autêntica.
Existem ganhos, mas não que possam ser mensurados, de forma tão simples e rápida, ganhos que poderão ser mediados ou sentidos, meses, talvez anos depois. Este é o verdadeiro trabalho voluntário. Cuidado com o trabalho voluntario gourmetizado, pode ser muito atraente, mas pouco eficaz.

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