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Ditadura Militar metralhou a casa de Elza Soares e Garrincha, com os filhos dentro

(imagem reprodução – rede social)

A cantora brasileira Elza Soares, que morreu esta semana, escreveu aos 86 anos um relato em que narrou um episódio em que a Ditadura Militar metralhou sua casa. Segundo Elza Soare, “além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo”, contou.

Segundo ela, em 1970, um dos períodos mais sanguentos e violentos da Ditadura Militar, sua família já tinha recebido telefonemas e cartas anônimas. “Nos sentíamos ameaçados e deixamos o País. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta? Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira” conta no texto.

Elza também lembra que enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, os generais ditadores faziam barbaridades com sua população.

“O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido. Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa. Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava”, conta.

Depois ela lembrou que foi para Portugal. Perto de Lisboa, eles se encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi.

“Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura?”, contou Elza. Nada mais atual com relação à camisa da CBF.

Veja relato da Elza no Diap.

Carta Campinas

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