Em memória do jornalista e revolucionário Alfonsas Marma

.Por Rafael Martarello.

Pretende-se neste texto honrar a memória do Jornalista Alfonsas Marma sumariamente executado pelo DEOPS em 25 de Setembro de 1949 no interior de São Paulo, episódio conhecido como a Chacina de Tupã. Marma foi um dos mais importantes ativistas de esquerda que atuaram na América Latina. Foi fundador de diversos jornais que contribuíram diretamente para o enriquecimento intelectual, cultural e operacional de movimentos populares. Sua trajetória de militância política na luta contra o fascismo e pela dedicação à classe trabalhadora internacional merece destaque.

Trajetória Política

(imagem reprodução – jornal

Nascido em 25 de Dezembro de 1908 na Lituânia, Alfonsas Marma imigrou para o Brasil em 1927 e trabalhou nos cafezais no interior do estado de São Paulo. Nas fazendas passou pelo drama de quase todos os imigrantes da época: baixa remuneração, dificuldade de adaptação, e exploração laboral e humanitária pelo fazendeiro.

Em decorrência das condições econômicas e laborais, Marma buscou uma melhor oportunidade de vida na cidade. Instalado na capital do estado de São Paulo, no seio da comunidade lituana de ajuda mútua, participou da construção de um dos primeiros jornais socialistas no Brasil, O Som (Garsas).
Preocupado com a situação física e cultural dos imigrantes, o jornal logo se tornou o principal veículo operário de notícias, de denúncias, de literatura, de discussões políticas e de informações de utilidade pública aos imigrantes.

Com a intensificação da perseguição política, Alfonsas Marma foi perseguido pelo governo lituano e pelo governo brasileiro. Encarcerado pela primeira vez em 1930 encarou o processo de expulsão do país. Detalhe a parte, a prova contra ele era uma carta que o remetente manifestava gratidão por ter desenvolvido interesse pela leitura graças à Marma.

Alternativamente, Alfonsas Marma solicitou ser enviado ao Uruguai, uma vez que o governo lituânio neste período era de caráter fascista. No Uruguai, ele iniciou a organização de diversos jornais de circulação em toda a América do Sul: Proletários (Proletaras); A Bandeira Vermelha (Raudonoji Veliava); O Amanhecer (Rytojus); Atualidade (Dabartis); e o mais importante O Trabalho (Darbas).

Diante da agitação social e política no Brasil em 1935, o jornalista retornou ao Brasil e novamente passou a atuar em vários jornais de esquerda, ainda que impedido legalmente. Já em uma prestigiada posição no quadro de militantes do Partido Comunista Brasileiro, Marma volta a ser preso em 1947, sendo solto no ano seguinte.

Os principais textos da ampla produção jornalística de Marma são textos de análise classista que combinavam elementos geopolíticos, críticas da situação dos lituanos no Brasil, e comentários interpretativos da análise conjuntural de outros jornais.

Em 1949, após uma atividade de discussão sobre a paz mundial na cidade de Tupã-SP, Alfonsas Marma é assassinado pelo DEOPS, em mais um crime político que deixou uma esposa sem marido e uma filha sem pai. Após sua morte, o jornalista se tornou símbolo nacional na Lituânia, sendo relembrado por jornais e em determinadas cerimônias no leste europeu.

Saudação final

As instituições democráticas e o Estado Brasileiro devem por meio da lamentação póstuma assumir os erros cometidos contra aqueles que lutaram bravamente pela justiça social, pela liberdade de expressão e imprensa, e pelo fim da exploração. Também é preciso condenar a repressão dos aparatos de violência estatal, da presidência e do Itamaraty, por suas posturas discriminatórias contra imigrantes no século passado.

Em tempos de luta pela liberdade de expressão, de luta contra o fascismo e contra o autoritarismo antipopular

Viva à Alfonsas Marma por ter organizado politicamente milhares de pessoas! Viva Alfonsas Marma por seus métodos classistas de resistência contra a exploração capitalista.
Viva à Alfonsas Marma pela sua militância!

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