.Por Alexandre Padilha.
Bolsonaro, com seu constante negacionismo, deixou o Brasil de braços abertos para receber mutações de novas variantes da Covid-19. A chegada da cepa indiana em nosso país é mais um ato de irresponsabilidade com o não controle da pandemia.
No início de maio, solicitei pedido de informações ao Ministério de Relações Exteriores, Ministério da Saúde e a Anvisa sobre quais medidas estavam sendo tomadas para não permitir a chegada e disseminação da cepa indiana em território nacional. Questionei as ações de monitoramento dos portos e aeroportos, a política de vigilância genômica e de testagem, a coordenação nacional para o enfrentamento da nova variante indiana e quais as medidas tomadas para a vigilância de viajantes que entraram no território nacional durante o período de potencial incubação da doença.
Esta variante já foi identificada em estados brasileiros e o intervalo da comprovação do diagnóstico e a circulação do vírus, muitas vezes, varia de 10 a 15 dias. Isso aliado ao estudo divulgado nesta semana pelo Imperial College de Londres que apontou que o Brasil teve aumento na taxa de transmissão da Covid-19, passando de 0,91 para 1,02. Índices acima de 1 significam que a doença avança sem controle e de que a cada 100 pessoas com Covid-19 podem transmitir a doença para 102. O levantamento da taxa de transmissão é um estudo usado para acompanhar a situação epidemiológica de uma pandemia.
Ou seja, muito possivelmente teremos alta no número de casos nos próximos dias. Mais uma vez, a irresponsabilidade e incompetência de Bolsonaro podem ajudar o Brasil a ter um novo pico de crescimento de casos e mortes antes da chegada do inverno.
Quanto mais avança a CPI da pandemia – que chamo de CPI do Genocídio – no Senado Federal, mais o povo brasileiro tem certeza de que tínhamos perfeitas condições de evitar mortes e vacinar milhões de pessoas em poucos meses, como fizemos na campanha de vacinação da pandemia de H1N1 e vacinamos mais de 80 milhões de brasileiros em três meses. Nosso Programa Nacional de Imunização é referência mundial e temos instituições públicas de excelência para a produção de vacinas, para transferência de tecnologias.
Em depoimento na CPI da pandemia, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que o Brasil poderia ter sido o primeiro do mundo a iniciar a vacinação e que o Instituto ofereceu, em outubro de 2020, 100 milhões de doses da vacina coronavac ao governo, com previsão de entrega de 60 milhões até dezembro, e Bolsonaro negou a oferta. O governo Bolsonaro em nada tem a ver com a história do Brasil: um país que era respeitado pela aplicação bem-sucedida de políticas públicas em saúde.
O presidente da República colocou os brasileiros no corredor da morte, já são mais de 450 mil vidas perdidas para Covid-19. É importante que todos tenham consciência de que o Brasil tinha e tem plenas condições para enfrentar e combater a pandemia da Covid-19 evitando tantas mortes. Mas, não é o que quer Bolsonaro, que atua fortemente na omissão e deixa sua marca genocida na história do nosso país.
*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.
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