Se Bolsonaro seguisse o que foi feito no governo Lula, já teríamos mais de 80 milhões de vacinados

Sem o SUS, seria a barbárie: mais recursos para a saúde já

.Por Alexandre Padilha.

Há no Brasil uma tempestade trágica que faz com que nosso país seja a maior ameaça global da Covid-19 neste momento e vou listar quatro fatores que explicam porque chegamos nessa situação. A primeira é a postura genocida de Bolsonaro que, desde o início, criou obstáculos para qualquer ação de controle. Em segundo lugar, exatamente pelo descontrole da pandemia, começaram a surgir novas variantes do vírus no Brasil, com maior poder de transmissão e acometendo os mais jovens.

(foto betto jr – secom – fp)

Terceiro é plano de vacinação extremamente lento, o que é particularmente muito grave para o Brasil, porque sempre tivemos uma tradição de um programa nacional de vacinação amplo. E o quatro e mais assustador, é o corte nos recursos emergenciais que foram criados pelo Congresso Nacional em 2020 porque Bolsonaro acreditava que a pandemia iria se encerrar em dezembro de 2020.

O orçamento anunciado por Bolsonaro para 2021 na prática corta 60 bilhões de reais para a saúde em comparação com o orçamento que o Ministério da Saúde teve no ano passado, isso somado a não revogação da cruel Emenda Constitucional nº 95 que retira bilhões de investimentos em saúde.

Com isso, leitos e hospitais de campanha foram fechados. Além do corte do recurso emergencial de renda para as famílias mais pobres, obrigando as pessoas a terem que se expor na busca por atividades para recuperar renda e não morrer de fome. E também do corte de apoio aos pequenos e médios empresários. Esses fatores foram determinantes para o aumento brutal do número de casos.

Cortar investimento para saúde pública diante da maior tragédia humana que o país já enfrentou é genocídio. É inaceitável perdermos vidas por ausência de atendimentos. Também é inaceitável o sucateamento e o descompromisso de qualquer governo com o SUS e com a saúde do povo. Sem o SUS, seria a barbárie e este projeto de desfinanciamento deve ser interrompido. Precisamos aumentar o financiamento do SUS e enfrentar o teto de gastos.

Estados e municípios têm resistido às duras penas a descontinuidade dos investimentos e perderam os recursos do governo federal garantidos em 2020 no combate a pandemia. Ainda neste ano, além de lidar com a pandemia, terão que reorganizar os exames e tratamentos de milhões de pessoas que tiveram seus procedimentos paralisados no ano passado.

Até agora, Bolsonaro, ao invés de controlar o surto, moveu suas forças para consolidar o discurso do desprezo à vida, aos pobres, aos frágeis e à ciência. Em três meses de vacinação contra a Covid-19, o número de doses aplicada é vergonhoso.

Na pandemia de H1N1 o Brasil vacinou mais de 80 milhões de pessoas em três meses, se Bolsonaro tivesse seguido o que foi feito à época, nós já teríamos mais de 80 milhões de pessoas do grupo prioritário vacinadas.

Acionei o Tribunal de Contas da União para sejam apuradas as indefinições do Ministério da Saúde com relação a coordenação do plano nacional de imunização, sobre a interrupção da divulgação do cronograma da chegada de vacinas e pela falta de campanhas de orientação na aplicação das doses. Muitas pessoas não estão indo tomar a segunda dose da vacina claramente por falta de orientação e incentivo do Ministério da Saúde.

O Brasil só vai se superar da Covid-19 com mais vacinas e mais investimentos para SUS.

Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.

Recent Posts

Comédia iraniana premiada em Veneza traz duas histórias de amor em paralelo

A última exibição de 2026 da Sessão de Cinema Reserva Imovision na ADunicamp acontece no…

16 hours ago

Derrota de Trump abre caminho para extradição de bolsonaristas que fugiram da Justiça

(imagem divulgação) O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados…

17 hours ago

Fotógrafo Sérgio Poroger lança livro que percorre cinemas de rua ao redor do mundo

Fotos de Sérgio Poroger no livro "Entresalas" (divulgação) A Galeria Foto Ponto recebe o jornalista…

18 hours ago

Guitarra elétrica e orquestra dividem o palco no Encontro de Música Contemporânea da OSU

(foto marilia vasconcellos - divulgação) A guitarra elétrica em diálogo com a orquestra, a música…

18 hours ago

Espetáculo da Mostra Geral de Teatro transporta o mito de Édipo para os tempos atuais

(foto edgar machado - divulgação) O Teatro de Arte e Ofício recebe nesta quinta-feira, 5…

19 hours ago

Paulo Betti retorna aos palcos de Campinas com sua ‘Autobiografia Autorizada’

(foto mauro khouri - divulgação) As lembranças de uma infância no interior paulista, as histórias…

2 days ago