Moradores de rua são os protagonistas do ‘Circo da Miséria: o maior desespetáculo da Terra’

O cotidiano “invisível” das pessoas em situação de rua é o mote das apresentações virtuais do “Circo da Miséria: o maior desespetáculo da Terra”, do artista Jeff Vasques, projeto realizado pelo interior do estado de São Paulo com o apoio do edital PROAC. As apresentações são gratuitas e podem ser assistidas através de live no canal do youtube do artista. 

(Imagem: Divulgação)

O “Cerco da Miséria”

A enorme desigualdade presente no Brasil, com seu alarmante número de pessoas em situação de rua (111 mil, segundo IBGE), está no eixo motivador desse “desespetáculo”. O desemprego, a falta de moradia e de acesso a serviços de educação e saúde de qualidade são causas centrais que levam as pessoas para a rua. Ali, são falsamente rotulados de violentos, preguiçosos, imorais, o que faz com que os passantes ajam com indiferença ou violência. A cada hora, duas pessoas em situação de rua são violentadas no Brasil e, a cada dois dias, uma é morta, segundo dados do Ministério da Saúde. Agora, durante a pandemia, é o segmento da população mais vulnerável ao coronavírus, já que não têm como se manterem em isolamento, nem acesso a condições mínimas de higiene.

A arte e a educação, apesar de sozinhas não serem suficientes para a superação da miséria, ajudam a reverter a indiferença, permitindo que as pessoas se sintam no lugar do outro, comovendo e provocando o público para uma ação coletiva transformadora. É um pouco do que se pretende com essa apresentação: romper o atual cerco miserável e fazer do mundo mais circo!

O “Circo da Miséria”

No “Circo da Miséria”, Magrólhos, esse palhaço “vagamundo”, perambula como um mambembe por ruas e praças, armando seu circo diário por sobrevivência diante do “desrespeitável” público passante. A partir dos restos da humanidade, do lixo, cria maravilhas em busca de um simples olhar ou de um trocado, fazendo-se dançarino, malabarista, acróbata, mágico e o que mais for necessário para domar seus leões, para se fazer um pouco mais visível e humano. Ora provocando risos, ora comovendo, Magrólhos seduz os espectadores com sua imaginação a adentrarem seu “Circo da Miséria”, convidando-os a ver sua realidade inaceitável, a compartilhar indignação e solidariedade.

O espetáculo foi construído a partir de oficinas artísticas ministradas pelo artista Jeff Vasques para a população em situação de rua, em 2015, via parceria com o Centro Pop de Campinas. As histórias, lutas e olhares do povo da rua dirigem o “Circo da Miséria”. A utilização da linguagem do palhaço vagabundo foi decorrência natural da temática. Esse tipo de palhaço, que vive em situação de rua (como Carlitos, de Charles Chaplin; Chaves, do seriado mexicano) usa da criatividade e de sua esperteza para garantir sua sobrevivência, nos lembrando que por trás das roupas surradas há um ser humano como qualquer outro.

A apresentação é sempre seguida de um bate-papo para desfazer preconceitos sobre o povo da rua. Também faz parte do projeto a realização da oficina “A miséria e o palhaço vagabundo”, para debater a origem e função desse tipo de palhaço. O projeto já passou por diversas cidades do estado e segue “rodando” ainda virtualmente até meados de dezembro.

As apresentações acontecerão através de live pelo canal do autor youtube.com/jeffvasques e, apesar de estar direcionadas a cidades específicas, podem ser vistas por qualquer um que acessar a live no horário indicado. A agenda completa e atualizada pode ser vista em http://www.eupassarinho.org

03/1216hMogi das Cruzes
26/1114hSorocaba
27/1110hCubatão
27/1114hPraia Grande
28/1113hCubatão
28/1115hSorocaba
30/1113h30Jaguariúna
30/1118hMarília
01/1214hLimeira
03/1210hCubatão
03/1216hMogi das Cruzes
08/128hCatanduva
09/128h e 13hCatanduva
11/1210hLencóis Paulista
11/1216hJacareí

Ficha Técnica

Circo da Miséria: o maior desespetáculo da Terra!”

Realização: Edital PROAC – Sec. de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Duração: 50 minutos

Classificação: livre

Criação e atuação: Jeff Vasques (palhaço Magrólhos)

Orientação cênica: Luciane Olendzki; Sérgio Carozzi

Assistente de direção: Taiane Raffa

Figurino: Consuello Matroni e Jeff Vasques

(Carta Campinas com informações de divulgaão)

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