Novo crescimento da Covid-19 faz Europa suspender aulas e intensificar o isolamento social

O Brasil registrou 749 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com boletim do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) desta quarta-feira (14). Em número de novos casos, a entidade registrou mais 27.235 novos doentes no período – levando o total a 5.140.863 pessoas infectadas desde o início do surto, em março. Também hoje, França, Espanha e Portugal decretaram novas medidas de restrição, depois de, nos últimos dias, registrarem alta de casos de contaminação.

(foto roque de sá – senadofederal)

O Brasil soma agora 151.747 mortos pelo novo coronavírus. Isso, sem contar com a reconhecida subnotificação – cientistas apontam que, na realidade, já são mais de 200 mil mortes por covid-19 em território nacional. O país é o terceiro do mundo em número de doentes, atrás de Estados Unidos e Índia. Além disso, é o segundo em mortos, atrás apenas dos norte-americanos.

Dez meses após os primeiros casos registrados, em meados de dezembro, em Wuhan, na China, o cenário segue preocupante. Na Europa, “segundas ondas” de contágio voltam a assustar todo o continente, onde os números de casos vêm subindo vertiginosamente de um mês para cá. Isso, após meses de redução na curva de contágios e mortos, conquistada por medidas rigorosas de distanciamento e isolamento social.

Em especial, a Espanha, passou a registrar números maiores do que no período mais letal da doença. Em março, os dias com mais casos detectados apresentavam cerca de 9 mil. Agora, entre setembro e outubro, os números chegaram a cerca de 30 mil nos dias mais agressivos.

O cenário agora se repete em outros membros da comunidade europeia, como Itália, Rússia, Reino Unido e República Tcheca. Esta última tem o pior índice de contágio por 100 mil habitantes de todo o continente. Durante o verão, todos esses países flexibilizaram as medidas de isolamento social, suspenderam os pontuais “lockdowns” e chegaram até a retomar aulas presenciais.

Agora, a realidade se impõe e a comunidade europeia já suspende as aulas, e volta a intensificar o isolamento social. Na República Tcheca, sinais de colapso no sistema de saúde. Hospitais já começam a suspender operações não urgentes para abrir leitos de atenção especial para a covid-19. Na Holanda, desde hoje bares e restaurantes voltaram a ser fechados.

Até o mês passado, lideranças políticas europeias resistiam ao retorno de medidas de isolamento, já que o número de mortes não estava subindo, apesar de recordes de novos doentes. Isso devido especialmente ao desenvolvimento dos procedimentos médicos e a mudança na faixa etária dos infectados. Agora, os jovens impulsionam a pandemia. Mais resistentes, morrem menos, mas seguem sendo vetores de transmissão.

Nas últimas duas semanas, 19 dos 34 países da comunidade europeia viram subir o número de casos também em idosos. O número de mortes também já começou a subir de forma significativa, sobretudo na Espanha, que serve de termômetro por ter antecipado a tendência no continente.

Curva de casos e de mortes na Espanha. Segunda onda de contágios evidente nas duas

Antiético

No início desta semana, a OMS lamentou posturas como adotadas pelo Brasil. “Imunidade de rebanho é uma abordagem científica e eticamente problemática”, disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom.

Sem uma vacina para evitar as mortes, a estratégia de deixar o vírus circular implica, necessariamente, em mais mortes. E mortes evitáveis, como milhares no Brasil. “Deixar a covid-19 sem controle significa permitir infecções, sofrimentos e mortes desnecessárias”, completou.

“A imunidade de rebanho é um conceito utilizado para vacinação, no qual uma população pode ser protegida de um vírus se um limite de vacinação for atingido. Em outras palavras, a imunidade coletiva é obtida protegendo as pessoas e não as expondo ao agente infeccioso”, disse Tedros.

Por fim, o cientista teceu duras críticas ao descaso com a vida da população. “Nunca na história da saúde pública a imunidade coletiva foi usada como estratégia para responder a um surto, muito menos a uma pandemia (…) Permitir que um vírus perigoso que não entendemos totalmente seja executado gratuitamente é simplesmente antiético. Não é uma opção”.(Da RBA)

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