Dallagnol batalhou para ter um ‘juiz-laranja’, revela novo vazamento da Lava Jato

.Por Fernando Brito.

Não são mais apenas as decisões judiciais tomadas por Sérgio Moro que estão sob suspeição.

Tudo o que está em curso na 13ª Vara Criminal de Curutiba está contaminado pelas escandalosas gravações, expostas hoje pelo The Intercept, que mostra que Deltan Dallagnol e outros promotores da Força Tarefa agiram diretamente para “escolher” o juiz que sucederia Moro, quando este foi nomeado Ministro da Justiça por Jair Bolsonaro.

(imagem reprodução)

Luiz Antonio Bonat, que ocupa o juízo, agora, era, no dizer do próprio Dalagnoll, apenas uma designação pró-forma – pelo fato de ele ser o mais antigo da lista dos juízes de 1° grau no TRF-4 – e outros juízes, afinados com os procuradores, preparariam as decisões para que ele assinasse, como uma espécie de “juiz-laranja” dos procuradores.

“O Bonat pode assumir e pessoas trabalharem por trás, como Gabriela e Bianca [Arenhart], talvez?” (…) “Ele colocou ali o nome dele por amor à camisa. Então a gente tem que conseguir um apoio. A ideia talvez seria de ter juízes assessores ali designados junto a ele”.

Com hacker ou sem hacker não há como a Justiça fechar os olhos ao vergonhoso jogo de cartas marcadas feitos para escolher um juiz por critérios políticos, inclusive barrando a ida de outro – na visão deles, um que divergia de Moro – que assumiria a vara se Bonat, já com tempo para aposentar-se, permanecesse relutando em ocupar o lugar.

Bonat foi ao cargo com o plano de colocar “amigos da Lava Jato” nos processos.

“A gente se livrou de uma bomba”, diz Deltan em uma das gravações reproduzidas pelo The Intercept, que reproduzo abaixo.

Leia a matéria no site e, a propósito, perceba que o material – do início de 2019 – mostra que o Intercept não esgotou, como parecia, a sua munição.

E como o ambiente na Força Tarefa de Curitiba nada tem a ver com a ação típica do Ministério Público, mas se confunde com o de uma organização criminosa que pressiona e interfere até na nomeação de juízes “amigos”.

Será que o senhores juízes do Supremo vão continuar fingindo que o que aparece nas gravações, por terem sido obtidas por hackers simplesmente não existe e permitirão, assim, que se procedam a decisões deformadas, que vão implicar em penas, inclusive de prisão, a quem eles decidiram condenar, usando os métodos mais sórdidos?

É triste ter de admitir que isso não é impossível.

Em um país decente, o juiz deixaria a vara e os promotores seriam suspensos, aguardando exoneração a bem do serviço público. (Do Tijolaço)

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