Idosos que moram com estudantes estão preocupados com o retorno às aulas presenciais

A aposentada Maria Elisa Victorino Geraldo, de 72 anos, divide a casa onde mora, na zona leste da capital paulista, com a mãe, Dinah de Rossi Victorino, de 94 anos, a filha e as netas. Ela é uma dos cerca de 340 mil idosos da cidade que coabitam com crianças e adolescentes em idade escolar, segundo estudo da USP. Em Campinas, o número de idosos que convivem com estudantes pode ser de cerca de 30 mil, comparativamente.

(foto ricardo wolffenbuttel -governo de sc)

Em Campinas, a Prefeitura definiu dia 7 de outubro para a volta às aulas presenciais, mas o prefeito Jonas Donizette (PSB) já admitiu um possível adiamento.

Com a pandemia de covid-19 e a discussão sobre o retorno às aulas presenciais em São Paulo, Maria Elisa teme estar mais exposta ao novo coronavírus quando as crianças voltarem a frequentar a escola.

“Tememos muito o retorno às aulas. Tenho diabetes e minha mãe tem enfisema pulmonar. Aqui em casa temos duas crianças em fase escolar, Francesca, de 14 anos, e Antonella, de 12 anos. Elas devem permanecer em casa, nas aulas online, se isso for opcional até o fim da pandemia. Caso contrário, minha filha, mãe delas, verá como poderá ser feito esse processo”, admite a aposentada.

“Nosso maior medo, além do que já conhecemos da potência do vírus através de reportagens, é que os médicos sempre descobrem novos sintomas e sequelas, ou seja, ainda temos desconhecimento do que o vírus realmente pode causar a curto e a longo prazo, fora o perigo de morte”, completou Maria Elisa, que mora na Vila Prudente.

O casal de aposentados Luís Pinheiro Silva, de 69 anos, e Miriam Cristina Borges Pinheiro, de 67 anos, também mora com os netos e teme o retorno das crianças à escola. Para Luís, a volta às aulas só deveria ocorrer depois da descoberta da vacina contra o novo coronavírus e da imunização de todos.

“Se reabrirem as escolas, sem garantia nenhuma, porque não foi feita a vacina, quem pode dizer que a criança vai manter 1,5m longe um do outro se, no dia a dia, ninguém faz isso, nem dentro do supermercado, nem shopping! A criança pode se contaminar e transmitir para seus familiares, principalmente para os avós, então não acho certo voltar agora. Creio que deveria voltar sim, depois que tiver uma vacina para todos”, disse o avô de Luiz Gustavo, de 8 anos, e de Kethlyn Cristiana, de 6 anos, moradores do Jardim Marília, também na zona leste.

Até este momento, a prefeitura de São Paulo liberou, a partir de 7 de outubro, as aulas presenciais para alunos do ensino superior ou para atividades extracurriculares do ensino infantil, fundamental e médio,.

A volta às aulas das escolas públicas e particulares ainda não tem data definida. O prefeito disse que está sendo avaliada a possibilidade de os estudantes voltarem a partir de 3 de novembro. (Da Agência Brasil/Carta Campinas)

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