Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Serra usou o cargo de governador entre 2006 e 2007 para receber da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul.
De acordo com a força-tarefa Lava Jato, a Odebrecht pagou milhões de reais por meio de uma rede de empresas no exterior, para que o real beneficiário dos valores não fosse detectado pelos órgãos de controle.
Ainda de acordo com a operação, o empresário José Amaro Pinto Ramos e Verônica Serra, filha do ex-governador, constituíram empresas no exterior, ocultando seus nomes, e por meio delas receberam os pagamentos que a Odebrecht destinou ao então governador de São Paulo.
Feito o registro factual da notícia, voltemos à realidade.
A Lava Jato foi flagrada em mensagens da Vaza Jato, no ano passado, afirmando que se sentia constrangida por denunciar políticos do PSDB e DEM. O Código Penal chama isso de “prevaricação” cujo crime é tipificado pelo art. 319.
Numa reportagem de 25 de agosto de 2019, O site The Intercept Brasil divulgou uma lista dos intocáveis no âmbito da Lava Jato: os bancos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o senador Alvaro Dias (PODE) e o chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM).
As conversas privadas dos procuradores e do ex-juiz Sérgio Moro, divulgadas pela série Vaza Jato, deixam clara a obsessão para tirar Lula da disputa de 2018 e de livrar o aliado FHC de investigações, mas, segundo as mensagens, o tucano era “apoio importante” que não podia ser constrangido.
Retornemos aos dias atuais.
Os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro são acusados pelo ex-presidente Lula e o PT de traição nacional, de prejudicar empresas brasileiras e de conspiração internacional com os Estados Unidos. A força-tarefa coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol, segundo a Vaza Jato, partilha dados com o FBI, a política federal americana, enquanto se nega a socializar essas informações com a Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão a quem está subordinado.
Nos bastidores da política e dos operadores do direito, a respeito dessa operação contra Serra, suspeita-se de uma “cortina de fumaça” na tentativa de convencer o distinto público –e a mídia– a manter os aparelhos de respiração ligados.
A desconfiança em relação à República de Curitiba disparou nos últimos dias. Sérgio Moro e Deltan Dallagnol se isolam com uma velocidade de fazer inveja ao vírus da Covid-19.
A Lava Jato afirma que Ramos e Verônica realizaram transferências para dissimular a origem dos valores e os mantiveram em uma conta de offshore controlada por Verônica Serra, de maneira oculta, até o final de 2014, quando foram transferidos para outra conta de titularidade oculta, na Suíça. O MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta no país.
Essas suspeitas contra o núcleo tucano são mais antigas do que amarrar cachorro com linguiça, mas, muito constrangida, a força-tarefa deflagrou hoje essa operação com muito “constrangimento” –para usar a expressão dos líderes do Partido da Lava Jato. (Do Blog do Esmael)
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