Congresso pode derrubar mais uma tentativa de Bolsonaro de aparelhar as universidades

Uma nova MP permite ao governo Bolsonaro continuar com o aparelhamento das universidades com escolhas de parceiros ideológicos, muitas vezes sem o reconhecimento da comunidade. O presidente Jair Bolsonaro determinou que o Ministério da Educação escolherá os reitores das universidades federais, durante a pandemia do novo coronavírus.

(imagem marcos oliveira – ag senado)

A decisão foi tomada em Medida Provisória (MP), publicada no Diário Oficial da União (DOU), desta quarta-feira (10).

Ao mesmo tempo em que pede para a população sair de casa, Bolsonaro toma meditas para intervir nas universidades usando como desculpa o isolamento que ele combate.

Com a decisão, o ministro Abraham Weintraub poderá nomear, por período temporário, os dirigentes de cada instituição, sem consultar a comunidade acadêmica. O texto, uma clara intervenção nas universidades, pode ser derrubado no Congresso Nacional.

A medida publicada por Bolsonaro garante a Weintraub a nomeação de reitores das universidades federais e de outros institutos federais de ensino, além do Colégio Pedro II, localizado no Rio de Janeiro.

No último dia 2, caducou a Medida Provisória 914/2019, editada por Bolsonaro, que dava a ele a prerrogativa de escolher o nome do reitor dessas instituições federais.

Novamente, Bolsonaro muda a atual regra, pela qual professores, alunos e funcionários das unidades federais indicam nomes que comporão uma lista tríplice. O nome mais votado é confirmado pelo presidente para um mandato de quatro anos.

Críticas

A MP foi criticada por especialistas e políticos. Um dirigente de universidade federal manifestou sua preocupação com a possível manipulação da situação. “Talvez coloquem a pressão na questão das aulas remotas. Se não pode dar aulas remotas, também não pode fazer eleição remota”, afirmou, sem querer se identificar.

Por meio das redes sociais, parlamentares lamentaram a medida. O deputado José Guimarães (PT-CE) afirma que o presidente pratica um “ataque autoritário à autonomia universitária”. Já Humberto Costa (PT-PE), chamou a MP de “intervenção”. “Para Bolsonaro, quanto menos democrático o processo for, melhor”, disse.

Entretanto, a também deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) aponta que haverá uma resposta no Congresso Nacional. “As Frentes Parlamentares em Defesa das Universidades e Institutos Federais já estão trabalhando para que o STF declare a inconstitucionalidade dessa excrescência. Ao mesmo tempo, trabalhamos para o Congresso devolvê-la”, afirmou à RBA. (Da RBA/Carta Campinas)

Recent Posts

Biblioteca Zink recebe Convenção de Ficção Científica, com palestras e demonstração de cão-robô

(foto carlos bassan - pmc) A Base Estelar Campinas realiza sua 51ª Convenção de Ficção…

2 hours ago

Ricardo Henrique e Estela Manfrinato apresentam o show ‘Casa Brasileira’ em Sousas

O espetáculo “Casa Brasileira”, com o violonista Ricardo Henrique e a cantora Estela Manfrinato, será…

3 hours ago

Traidores da pátria não vão transformar o Brasil em quintal dos EUA, indica Lula na ONU

(imagem ricardo stuckert - pr) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender…

22 hours ago

Feira de Barão Geraldo comemora 24 anos com teatro circense e bandas Sambaki e Zeppers

(imagem divulgação) A Feira de Barão Geraldo em Campinas comemora 24 anos de história com…

23 hours ago

Entre memórias e questões filosóficas, nem tudo é o que parece em ‘Experimentos do Invisível’

(foto ricardo avellar - divulgação) A lembrança de um antigo espetáculo de mágica é o…

1 day ago

Adolescentes da Vila Brandina transformam cotidiano e território em fotografia em mostra inédita

(foto PAC - divulgação) Olhares de adolescentes sobre o cotidiano, as pessoas e o território…

1 day ago