Apps de entrega de comida controlam a clientela e podem levar pequenos restaurantes à falência

As mudanças nas estratégias de aplicativos de entrega de comida podem levar os pequenos restaurantes à falência. Isso porque os restaurantes ficam totalmente amarrados aos aplicativos e se quer podem ter autonomia sobre sua própria clientela. Ou seja, o dono do restaurante não sabe quem é seu cliente.

(Foto ilustrativa: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Reportagem de Daniele Madureira, para BBC Brasil, mostra como o empresário Ricardo Masironi foi obrigado a fechar a casa de lanches que se tornou dependente de aplicativos. Masironi ia bem com o restaurante e as entregas dos aplicativos, mas de repente as vendas tiveram uma quedar vertiginosa.

De acordo com a reportagem, “no começo de 2019, algo começou a dar errado para o pequeno empresário: os pedidos deixaram de aparecer de uma hora para outra. Não foi uma redução gradual, fruto de um possível aumento de competição. Nem uma mudança de cardápio ou receita, que permaneceram exatamente os mesmos.

Masironi sequer teve a chance de sondar a clientela para saber o que estava acontecendo: no final de 2018, o iFood já havia deixado de fornecer o contato dos clientes aos restaurantes. A partir de então, o consumidor passou a ser do serviço de entrega — não importa quem faça a comida. Ou seja, o Ifood passou a ser uma espécie de restaurante online e o milhares de pequenos restaurantes seriam a cozinha do Ifood.

“Com o tempo, o iFood mudou radicalmente o atendimento aos restaurantes”, disse Masironi à reportagem. Ele acabou fechando o salão em agosto do ano passado. Manteve apenas o delivery com lanches mais baratos, vendidos a R$ 9,50, mas nem assim conseguiu sobreviver. Seus produtos não eram exibidos na seção de comida barata do iFood, de até R$ 10. Questionou o aplicativo, mas não obteve resposta conclusiva. Sem pedidos, Masironi não suportou os custos e encerrou definitivamente a operação em novembro.

E até grandes redes podem ser prejudicadas. Segundo o texto, um franqueado de uma grande rede de fast-food, que não quis se identificar, afirmou que o aplicativo faz promoções em que oferece desconto de 50% sobre o preço do milk shake, por exemplo. “O aplicativo me paga o preço cheio do produto, mas vende pela metade”, diz o franqueado. Neste caso, porém, o restaurante não tem prejuízo — embora a venda na sua loja física seja canibalizada, já que o cliente vai optar pelo aplicativo. Ou seja, o cliente pagou 50% do preço da loja física, como se o restaurante fizesse a prática de dumping contra ele mesmo.

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